Debatedor condena desinteresse do Estado pelo interditado
21/10/2005 - 12:25
O debatedor Mark Napoli, da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, criticou no seminário sobre banalização da interdição judicial os procedimentos para a elaboração do laudo psiquiátrico e da audiência judicial que fundamentam a interdição.
Ele descreveu a decretação da interdição judicial pelo juiz como um rito sumário. "O paciente é portador de sofrimento mental? A incapacidade é total ou parcial? Bom dia, boa tarde, boa noite. Próximo caso." Assim Napoli ilustrou uma audiência.
Em nenhum momento, segundo Napoli, perguntam se a interdição vai refletir na qualidade de vida do interditado nem se vai atender a seus direitos e interesses.
Ele participa da mesa-redonda "Laudo, Perícia e Interdição Judicial: Fragilidades e Desafios para os Direitos Humanos".
Pessoas esquecidas
Napoli citou um caso em que atuou como perito e foi entrevistar um paciente interditado. Aos 30 anos de idade, ele já estava havia 15 anos no hospital psiquiátrico e só foi lembrado devido à disputa por bens entre seus pais. Para o médico, esse paciente não apresentava sinais de que deveria estar interditado e confinado por tanto tempo em um hospital.
Napoli disse que situações como essa são conseqüência do desinteresse do Estado com as pessoas portadoras de sofrimento mental, que, após a declaração da interdição, são completamente esquecidas pelas autoridades.
O evento está sendo realizado no plenário 1. Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Marcos Rossi
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