Líder do PR reafirma compromisso com reconciliação e contra o impeachment
Outros deputados da legenda falaram a favor do impedimento de Dilma Rousseff
15/04/2016 - 19:16

O líder do PR, deputado Aelton Freitas (MG), reiterou há pouco o compromisso do partido com a reconciliação nacional e contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele sustentou em Plenário que, no regime presidencialista, o afastamento do chefe do Poder Executivo só pode ocorrer se ficar comprovada a prática de crime de responsabilidade.
“O presidencialismo é um sistema de governo em que o chefe não pode ser afastado por mera situação politica de impopularidade”, disse o deputado. E acrescentou: “Não foi por acaso que os constituintes estabeleceram várias exigências para o processo de impedimento”.
No entendimento de Freitas, para que fique configurado crime de responsabilidade é preciso que haja um ato doloso praticado diretamente pelo presidente da República em atentado à Constituição. “A fuga desse pressuposto implicará em desrespeito a diversos preceitos Constitucionais”, disse.
Para o líder do PR, o pedido de impeachment de Dilma Rousseff tem inspiração parlamentarista, pois estaria baseado na atual crise política e econômica por que passa o governo. “No regime presidencialista, a rua cheia não é motivo para o afastamento de um chefe de governo”, finalizou Freitas, defendendo que o processo seja rejeitado o mais rápido possível.
Vínculo não é inquebrável
Ex-líder do partido, o deputado Maurício Quintella Lessa (AL) lembrou que renunciou à liderança exatamente por pensar diferente. “Anunciei que sairia do governo e fiz isso para votar com a minha consciência. Fiz isso para fazer as pazes com o meu travesseiro”, destacou.
Ao comentar aliança de mais de 14 anos firmada entre o PT e o PR, inclusive com a eleição do ex-vice-presidente José Alencar, Quintella Lessa disse que nenhum vínculo é inquebrável. “Essa não é a votação de uma matéria comum. E a pergunta que devemos nos fazer é: a presidente da República cometeu crime de responsabilidade. Eu entendo que sim”, disse.
Para Quintella Lessa, o crime de responsabilidade está caraterizado pela edição de uma série de decretos para abertura de crédito suplementar sem a autorização do Congresso; e pelo fato de o governo deixar de registrar em sua prestação de contas as dívidas assumidas com bancos públicos em razão de programas sociais, no que ficou conhecido com pedalada fiscal.
“Com sua incapacidade de governar, ela dividiu o povo brasileiro. Surgiu uma intolerância nunca vista. E se não estancarmos isso, nós levaremos este País ao caos social nos próximos 2,5 anos”, finalizou Quintella Lessa.
PT perdeu essência
Deputado Cabo Sabino (CE) também lembrou a ligação de 14 anos entre o PR e o PT, mas disse que deixou de admirar o Partido dos Trabalhadores pela postura adotada nos últimos anos. “Eu acreditava que ao chegar ao governo, o PT representaria os menos favorecidos. Mas, nesses 14 anos, o PT perdeu sua essência. O que era errado passou a ser correto quando o PT assumiu o governo”, disse Sabino.
Para ele, a presidente Dilma Rousseff vendeu o que não poderia entregar e prometeu o que não poderia cumprir. “Votar a favor da presidente é ser avalista de um cliente falido. E essa fatura tem dia para ser cobrada e você não vai poder pagar essa fatura. Seu eleitor vai cobrar”, alertou Sabino.
O deputado Bilac Pinto (MG) também defendeu o afastamento da presidente. “Precisamos manter a esperança de passar o País a limpo”, disse. Para o deputado, os governistas usam a expressão “golpe” de forma oportunista.
“Eles usam golpe para ocultar uma realidade acachapante de corrupção em todos os setores do governo. Mas golpe é mentir para a população com o intuito de se reeleger. Golpe é fazer com que 10 milhões fiquem em casa esperando a criação de empregos”, criticou.
75% favoráveis ao impeachment
Já o deputado Laerte Bessa (DF) destacou que o PR não participa de qualquer barganha ou negociata em troca de votos contrários ao impeachment. “O PR continua na base, foi a decisão do ministro Antônio Carlos [Transportes]. Foi uma decisão de pessoas de bem. Não é o meu caso. Eu não ficaria [a favor do governo]”, declarou Bessa, destacando que o 75% dos deputados do PR são favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Por fim, Bessa disse que o atual vice-presidente, Michel Temer é “um homem de bem e que nunca se envolveu em nada que desabonasse sua conduta”.
Mais informações a seguir
Acompanhe a transmissão ao vivo também pelo canal da Câmara dos Deputados no YouTube
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Newton Araújo