PSDB defende impeachment de Dilma por crime de responsabilidade
15/04/2016 - 16:05

Cinco deputados do PSDB ocuparam a tribuna durante a última hora para defender o impedimento da presidente Dilma Rousseff pela suposta prática de crime de responsabilidade.
A presidente e seu partido, o PT, foram acusados de agir em nome de um projeto de poder e não de governo.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), por exemplo, comentou as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, reveladas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
“As delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa revelaram que o PT, que havia praticado o Mensalão, agora havia criado o Petrolão – um esquema que destinava 3% do valor dos contratos da estatal para o PT e aliados”, disse Sampaio, durante a segunda sessão extraordinária desta sexta-feira (15).
A sessão se destina à votação do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) favorável abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Sampaio comentou ainda a prisão do tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014, João Vaccari Neto, e também do publicitário João Santana, que atuou na campanha eleitoral. “O seu criador agora está quase preso”, disse ele, em referência ao ex-presidente Lula.
O deputado defendeu ainda a legalidade do processo de impeachment contra a presidente da República e fez uma comparação para explicar o que são as chamadas pedaladas fiscais. “Pedaladas é assim: eu tenho bancos para servir aos brasileiros e digo: 2014 é ano de eleição, pague as minhas contas. E os bancos pagaram por 14 meses seguidos”, disse.
O deputado Paulo Abi-Ackel (MG) disse que a atual crise por que passa o País é a soma de erros recorrentes. “O governo não foi destruído por fora, mas por dentro, à custa da distribuição de favores, da gastança ilimitada, do desprezo pela competência. Tudo isso acabou em descumprimento da lei orçamentária e da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00)”.
Abi-Ackel criticou ainda a incapacidade da presidente de governar e de dialogar com a população e com o Parlamento. “Faltam remédios, médicos e vagas em hospitais. Dependentes de drogas estão tomando as ruas. Municípios quase não conseguem pagas as folhas. A violência aumenta e nos faz prisioneiros de bandidos. Há déficit de moradias. Filas enormes de desempregados, com 287 pessoas sendo demitidas por hora”, observou o deputado, acusando Dilma Rousseff de inércia diante da situação.
O deputado Bruno Araújo (PE) reforçou a tese de que Dilma Rousseff usou recursos de forma ilegal, pensando apenas na eleição, o que teria comprometido a saúde financeira do País. “Somos o País que mais desemprega: são 10 milhões de brasileiros procurando emprego, 3 milhões a mais do que há um ano”, disse Araújo. “Chegamos ao ponto em que todos os programas sociais estão em risco por falta de recursos”, avaliou.
Para ele, o governo descumpriu a lei ao adulterar as contas públicas com objetivo de esconder rombos. “Estamos cumprindo nosso dever de fiscalizar o chefe do Executivo, para que cumpra as leis. Senão outros governantes poderão incorrer na mesma ilegalidade, em nome de se manter no poder. Com o impeachment, o recado será claro, isso não ser mais admitido na história do Brasil”, disse.
Juízo final
O deputado Nilson Leitão (MT) disse que o País está diante do juízo final. Para ele, além de mentiras, corrupção, aparelhamento do estado e incompetência, o governo de Dilma Rousseff cometeu crimes de responsabilidade.
“A presidente afrontou a lei. Gastou mais do que recebeu e mentiu em sua contabilidade. Caixa Econômica e Banco do Brasil são intermediários de contratos e não podem bancar a festança do PT. Se fosse assim, eu não pagaria meu cartão de crédito, apenas diria 'segura aí'”, criticou.
Para o deputado Jutahy Júnior (BA) as mentiras contadas na campanha da presidente, a maquiagem nas contas públicas e a corrupção na Petrobras levaram à maior crise econômica de todos os tempos, penalizando principalmente os mais pobres.
“A economia desabou e com ela a renda das famílias e os empregos. Muitos são jovens e pais de família sem esperanças com o atual governo. A palavra das famílias é medo. Medo de perder os seus empregos, medo de fechar seus negócios”, disse Jutahy Júnior.
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Reportagem – Murilo Souza
Edição – Newton Araújo