Maioria dos deputados do PMDB vai apoiar pedido de impeachment, diz líder
O líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), informou nesta manhã que “a bancada do partido orientará a posição favorável ao processo de impeachment”. Segundo Picciani, a maioria expressiva da bancada, cerca de 90%, é favorável ao processo de impedimento da presidente da República.
Picciani, que é contrário ao impeachment, agradeceu aos colegas pelo respeito a seu posicionamento pessoal, mas disse que um processo como esse não é motivo de comemoração para ninguém. “É motivo de preocupação, de atenção, em que devemos estar atentos ao seu desdobramento”, afirmou na sessão plenária que debate a abertura ou não do processo.
Para o líder, o processo de impedimento de um presidente “legitimamente eleito” é grave e, seja qual for o resultado da votação de domingo (17), o País deve tomar no dia seguinte o caminho da conciliação. Nesse sentido, Picciani fez um apelo aos companheiros de bancada para que restabeleçam esse ambiente, por acreditar que o PMDB tem um compromisso com a história do País. “O povo brasileiro, que sempre contou com o PMDB na defesa da democracia, continuará mais do que nunca contando com o nosso partido.”
Defesa do impedimento
Em seguida a Leonardo Picciani, falaram outros quatro deputados do PMDB. Todos defenderam o impeachment. Lelo Coimbra (ES) e Soraya Santos (RJ) destacaram as dificuldades econômicas por que passa o País. “Os mais pobres veem a inflação corroer seus salários. Os mais jovens são os mais afetados pelo desemprego”, afirmou Coimbra. “O Brasil encontra-se parado e não suporta mais. As famílias estão nas ruas pedindo um basta, e esse basta depende de cada um de nós”, sustentou, por sua vez, Soraya Santos.
Os parlamentares do PMDB também manifestaram sua confiança no vice-presidente da República, Michel Temer, para assumir o governo. “Michel Temer, você hoje é o farol e a esperança”, resumiu Soraya Santos.
Para os deputados que se pronunciaram durante o tempo do PMDB, não há golpe no impeachment e na assunção de Michel Temer. “Acusa-se o vice-presidente de pretender assumir o cargo, mas não é a Constituição que preconiza isso? Novas eleições, sim, seriam golpe. A assunção do vice é consequência. Obedecer à Carta Magna significa, no impedimento do presidente, dar posse ao vice”, argumentou Osmar Serraglio (PR).
O deputado Manoel Junior (PB) disse que o que o Congresso faz é um julgamento chamado impeachment, previsto na Constituição. “Falar de golpe? A Constituição, que foi erguida pelo presidente peemedebista Ulysses Guimarães, determina que em crime de responsabilidade o presidente da República possa ser impedido.”
Sem vingança
Ainda segundo Osmar Serraglio, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não agiu por vingança quando aceitou o pedido de impeachment apresentado pelos juristas Janaína Paschoal, Miguel Reale Junior e Hélio Bicudo. Serraglio sustentou que, ao contrário, Cunha destituiu a peça de dezenas de acusações inicialmente constantes, restringindo-a a dois fatos referentes à lei orçamentária. “O presidente da Câmara beneficiou [a presidente Dilma] afastando outras acusações. Prejudicados foram os juristas acusadores com semelhante subtração.”
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