Relator diz que MP do Futebol vai ajudar clubes a sair do fundo do poço
07/07/2015 - 20:22 • Atualizado em 07/07/2015 - 20:32

O deputado Otavio Leite (PSDB-SP), relator da MP do Futebol (Medida Provisória 671/15), afirmou que o texto da MP oferece uma oportunidade para o futebol brasileiro “sair do atoleiro”, ao permitir o refinanciamento das dívidas e impor aos clubes, federações e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um conjunto de regras de transparência e responsabilidade fiscal.
“São regras que, se observadas, vão evitar as péssimas práticas que levaram a esse fundo de poço”, observou Leite.
O relator lembrou que amanhã faz um ano que a seleção brasileira sofreu uma de suas derrotas mais marcantes, quando perdeu na semifinal da Copa do Mundo por 7 a 1 para a Alemanha. “Amanhã, completam-se 365 dias de um dia tragicamente marcante para o País. Ano do 7x1. E o que fizemos durante esse ano?”, indagou Leite.
Segundo o deputado, depois do que ocorreu, é preciso oferecer ao futebol brasileiro um futuro melhor. “Não há mágica, há realidade”, disse ele, ao defender a aprovação da proposta.
Otavio Leite afirmou que, durante os mais de dois anos em que o tema foi discutido na Câmara dos Deputados, mais de 50 sugestões de aperfeiçoamento de deputados foram incorporadas ao texto. “Nós estamos criando um novo marco. Não é a solução, mas é o inicio da solução para o futebol brasileiro”, disse.
Refinanciamento das dívidas
Leite comentou sobre a previsão de refinanciamento das dívidas, prevista no texto da MP. “Não estamos tratando só de série A, B e C, estamos falando de mais de 500 clubes que contratam, que devem. Estamos falando de um crédito tributário que a União tem de R$ 4 bilhões em créditos, praticamente impossível de ser resgatado”, completou.
O líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), disse que o principal ponto do texto é promover a recuperação financeira dos clubes brasileiros. “Nós conseguimos produzir um bom relatório, que vai ajudar os clubes a sair do atoleiro, com previsão de penalidades e absoluta responsabilidade fiscal e respeitando o torcedor que não aguenta mais ver o pífio futebol praticado nos clubes exatamente por falta de ajuda”, disse.
Arantes ainda destacou o trabalho de discussão do assunto na Câmara. “Foi um trabalho feito a varias mãos. Nós viajamos para todos os estados brasileiros, ouvimos o Brasil inteiro sobre os problemas do futebol e esse diagnóstico apontou para falência total dos clubes e do futebol brasileiro”, disse Arantes.
Segundo ele, o texto em análise pode não ser a melhor proposta, mas caminha para dar ao País um futebol com mais responsabilidade fiscal, mais qualidade, “um futebol que todo o brasileiro quer ver”.
Deficit dos clubes
O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), mesmo favorável à proposta, criticou algumas alterações no texto, que, segundo ele, pioram o relatório proposto por Otavio Leite. “Vai ficar muito prejudicado, o deficit zero que se exigia para os clubes sanearem suas finanças recebeu uma pedalada, uma flexibilização de 5%, ou seja, ou clubes vão poder continuar deficitários”, alertou. “A inelegibilidade de dirigentes corruptos também foi reduzida de 15 para 10 anos”, acrescentou.
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Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli