Médicos de Cuba deverão receber até US$ 300 por trabalho no Brasil, diz cubano
04/09/2013 - 13:27 • Atualizado em 04/09/2013 - 13:52

Presente na comissão geral que debate o programa Mais Médicos, no Plenário da Câmara, o médico cubano Carlos Rafael Jorge Jimenez disse que os valores destinados diretamente aos médicos cubanos pela Organização Panamericana de Saúde (Opas) devem ficar em torno de US$ 200 a US$ 300 (R$ 477 a R$ 716).
O governo brasileiro deverá pagar à Opas R$ 10 mil por cada mês de trabalho dos médicos cubanos. A organização não divulga oficialmente o valor repassado aos médicos.
De acordo com Carlos Jimenez, o regime atual de trabalho dos médicos em Cuba prevê carga de 60 a 70 horas de trabalho semanais. A remuneração, segundo ele, é de R$ 60 a 70 por mês.
“Meus colegas médicos não vêm aqui por solidariedade, mas para ajudar suas famílias”, afirmou Jimenez, que não faz parte do programa do governo federal.
O líder dos Democratas, Ronaldo Caiado (GO), voltou a afirmar em Plenário que os médicos cubanos vão trabalhar no Brasil em regime de escravidão. “Um médico europeu, americano tem conta bancária, recebe salário, tem trânsito livre e escolhe a sua cidade. Já o cubano não tem sequer uma conta bancária”, disse.
Direitos iguais
O deputado Eleuses Paiva (PSD-SP), que é médico, defendeu direitos iguais para os médicos cubanos que atuarão no Brasil dentro do programa, em relação aos profissionais de outras nacionalidades.
Ele afirmou esperar que a Câmara se debruce sobre uma discussão mais profunda da saúde. Para ele, não basta ter mais médicos, mas também estrutura e qualidade no serviço prestado. “Eu não vi aqui ninguém contrário à proposta de levar médicos aos rincões, às periferias das grandes cidades. Mas eu esperava desse governo que abrisse um grande debate nacional para mudar a saúde brasileira, que ouvisse as ruas e destinasse 10% dos recursos públicos para a saúde”, disse o parlamentar.
Reportagem – Carolina Pompeu e Noéli Nobre
Edição - Daniella Cronemberger