“Cada médico vai garantir mil votos na eleição”, afirma líder do DEM
04/09/2013 - 13:00 • Atualizado em 04/09/2013 - 13:34

O líder dos Democratas, deputado Ronaldo Caiado (GO), criticou há pouco o programa Mais Médicos, criado pela Medida Provisória 621/13, editada no início de julho. “Esse projeto é uma medida político-eleitoral, um projeto de marketing. A saúde está sendo usada e cada médico vai garantir mil votos na eleição”, afirmou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, respondeu: “A sua fala demonstrou que quem está preocupado com eleição não é o governo. Certamente são todos os prefeitos do Brasil e de todos os partidos que solicitaram médicos.”
O programa estimula a atuação de médicos estrangeiros nas periferias de grandes cidades e no interior do País. Mas, de acordo com Caiado, a medida apenas disfarça o fato de que o governo federal não vem priorizando a saúde nos seus gastos.
Segundo o líder do DEM, o País perdeu 13 mil leitos em hospitais entre 2010 e 2013. Caiado também afirmou que o País tem um dos piores índices proporcionais de investimentos na área. “No Brasil, são 8,7% do Produto Interno Bruto. Na Argentina e no Chile, por exemplo, são mais de 20% e 25%, respectivamente”, exemplificou.
A declaração foi feita durante comissão geral sobre o programa, que acontece neste momento no Plenário da Câmara. Caiado foi o deputado que propôs o debate de hoje.
Trabalho escravo
O deputado também caracterizou de “trabalho escravo” a atuação dos médicos cubanos no Brasil. Cerca de 400 médicos de Cuba atuarão em municípios que não foram escolhidos pelos médicos brasileiros e por outros estrangeiros que se inscreveram no programa. A vinda dos profissionais é resultado de um acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas).
Cada médico inscrito no Mais Médicos receberá R$ 10 mil por mês. Os cubano, no entanto, receberão apenas uma parte desse valor, já que o governo brasileiro pagará diretamente à Opas. “Os médicos europeus vêm com suas famílias, hospedam-se em bons hotéis, vão a restaurante. Os cubanos, por sua vez, chegam guardados pela polícia, são escoltados por uma brigada médica, estão restritos a um quartel, não podem trazer a família, não têm direito ao passaporte nem podem pedir anistia politica. Isso é trabalho escravo”, argumentou.
Caiado afirmou que já solicitou a formação de uma comissão externa de parlamentares, que deverão ir a Genebra avaliar se a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) autorizam o acordo entre o Brasil e a Opas no caso. “Quero entender como o Brasil, que é signatário de uma convenção que não admite o trabalho forçado, permite esse tipo de trabalho dos médicos cubanos, que não têm sequer o direito de ir e vir”, disse.
Reportagem – Carolina Pompeu
Edição - Daniella Cronemberger