Godinho: afastamento do Rural ocorreu devido a relatórios
08/12/2005 - 15:09
O ex-superintendente do Banco Rural Carlos Godinho disse, há pouco, que não duvida de que o motivo pelo qual foi convidado a se demitir da instituição foram os relatórios que produziu sobre as movimentações da agência de publicidade SMPB, de propriedade de Marcos Valério Fernandes de Souza. Godinho relatou na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios que, na época em que foi convidado pela direção do banco a entrar no programa de demissão voluntária (PDV), informaram-no de que a área que comandava iria ser terceirizada, assim como a auditoria interna.
"Meu sentimento é de que a nova diretoria se defenderia culpando o compliance", disse o ex-superintendente. A área de compliance, à qual pertencia Godinho, é a encarregada de garantir o cumprimento das normas exigidas pelo sistema financeiro.
Segundo o ex-dirigente do Rural, um dos motivos de sua entrevista à revista Época, na qual revelou esses fatos, foi reverter a possível defesa do banco.
Empolgação
O depoente afirmou, porém, que nunca conheceu o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, nem soube de nenhum favorecimento do partido ao Banco Rural. "Eu me empolguei", disse, para explicar suas declarações à revista de que o Banco Central favorecera o Rural. Godinho ressaltou estar "revendo" tais afirmações, pois não tem como provar as denúncias.
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), entretanto, insistiu sobre alguma possibilidade de o Banco Rural ter obtido favores do BC. Godinho respondeu que a fiscalização dos técnicos do BC em Belo Horizonte era muito rigorosa, mas admitiu ser estranho que os relatórios finais do Banco Central não tenham constatado a movimentação irregular praticada pela SMPB e pelo PT.
O depoimento de Carlos Godinho continua na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado. Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Sandra Crespo
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