Relatório de CPMI poderá citar Eduardo Azeredo

24/11/2005 - 13:59  

O sub-relator de movimentação financeira da CPMI dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), admitiu nesta quinta-feira a possibilidade de incluir, em seu relatório parcial, os depoimentos dos tesoureiros das campanhas estaduais de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Pará. Ele também admitiu incluir no relatório um empréstimo contraído pelo empresário Marcos Valério para saldar dívidas da campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998, que na época disputava a reeleição para o governo de Minas Gerais.
A reunião de hoje para votação do relatório parcial sobre movimentação financeira foi adiada em razão de falta de acordo sobre o formato do relatório.

Divergências
O relatório preliminar recomenda o indiciamento de Valério e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Parlamentares do PT reivindicam, no entanto, que o documento cite as irregularidades cometidas pelo senador Eduardo Azeredo na campanha eleitoral de 1998. Em depoimento na CPMI, o tesoureiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, admitiu ter recebido recursos não contabilizados das empresas de Valério.
Segundo Fruet, a inclusão do nome de Mourão no relatório o obrigará a inserir também o de tesoureiros de outras campanhas citadas na CPMI - nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo - e incluir o indiciamento dos tesoureiros do PP, do PTB e do PL. Fruet lembrou que a CPMI não teve acesso a quebras de sigilo anteriores a 2002 e que os crimes de caixa dois relativos às eleições de 1998 já estariam prescritos.
Fruet disse que, na versão do relatório que seria apresentada hoje, foi incluído entre os indiciados o nome do contador Marco Aurélio Prata, das empresas de Valério. Em depoimento na Polícia Federal, Prata admitiu ter cometido fraude contábil.

Empréstimos
No relatório, Fruet desqualifica a tese de que empréstimos bancários foram a fonte dos recursos transferidos das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza a partidos políticos. O documento também estabelece uma relação entre o adiantamento de contratos de publicidade do Banco do Brasil e da Visanet para a empresa DNA, de Marcos Valério, e o repasse de recursos dessa agência de propaganda para partidos políticos.

Votação
Segundo o presidente da CPMI, senador Delcidio Amaral (PT-MS), a votação do relatório preliminar deverá ocorrer na próxima quinta-feira (1º). Delcidio ressaltou que o relatório não foi votado hoje porque alguns parlamentares "não fizeram o dever de casa", que era discutir com antecedência o documento. Serraglio e Fruet estão discutindo, porém, a hipótese de não submeter à votação os relatórios parciais e incluí-los no relatório final.
Segundo Fruet, o foco das investigações são os seis empréstimos de Valério ao PT, mas, para evitar um jogo de compensações ou uma disputa entre partidos, Serraglio admitiu incluir no relatório final um capítulo sobre caixa dois, citando os tesoureiros das campanhas estaduais.

Depoimento
Delcidio disse que vai se reunir no sábado (26) com a assessoria técnica para consolidar todo o trabalho de investigação feito até agora e obter até o início de dezembro um balanço geral.
Na quarta-feira que vem (30), a CPMI ouvirá o ex-superintendente do Banco Rural Carlos Godinho.

Leia a íntegra do relatório preliminar

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Empréstimo de Valério foi simulação, afirma sub-relator

Reportagem - Cid Queiroz
Edição - Pierre Triboli

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