Aumento de policiais não acaba com violência, diz FPF

24/11/2005 - 13:36  

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF), tenente-coronel Marcos Marinho, que foi comandante do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, acredita que o aumento do número de policiais nos estádios brasileiros não vai "resolver o problema da violência". Entretanto, ele Marinho defendeu a especialização dos policiais que atuam nos jogos, ao participar de audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto sobre os trabalhos da Comissão Paz no Esporte, do Ministério do Esporte.
Para o dirigente, um fator que aumenta a violência nos estádios é a falta de conforto. "É impossível manter milhares de torcedores sentados no concreto. Em países como a Espanha e a Inglaterra, os assentos são individuais para os torcedores, mas, no Brasil, a maioria precisa se acomodar nas arquibancadas", comparou.
Marinho acrescentou que a proibição da venda de bebidas alcóolicas dentro dos estádios foi uma atitude que efetivamente ajudou a reduzir a violência, porque, mesmo que o torcedor chegue ao estádio embriagado, os efeitos do álcool são reduzidos durante o jogo. "Eu tenho visto torcedores saindo dos estádios como se saíssem da igreja em razão da proibição da venda de bebidas alcoólicas", disse.

Educação
O autor do requerimento para a audiência, deputado André Figueiredo (PDT-CE), defendeu a adaptação "ao contexto brasileiro" das sugestões de combate à violência nos estádios. A Comissão Paz no Esporte tem se inspirado em medidas adotadas na Inglaterra, mas o deputado ressaltou as diferenças existentes no Brasil, que demandam soluções próprias. O deputado destacou entre as "peculiaridades brasileiras" a miséria e a falta de educação do torcedor. Segundo ele, o principal estádio do Ceará – o Castelão, em Fortaleza – foi modernizado recentemente, ganhando catracas eletrônicas e banheiros com acionamento automático das descargas. "Mesmo assim, torcedores fazem suas necessidades em qualquer lugar, porque muitos deles não tem banheiro em casa", concluiu.

A audiência prossegue no plenário 7.

Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Rodrigo Bittar

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