Jefferson: representação deveria ter ido para o STF

15/06/2005 - 21:23  

O deputado Roberto Jefferson (PTB-SP) mais uma vez passou de acusado a acusador e alegou que a representação movida pelo Partido Liberal contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara é completamente improcedente, com intenções apenas de tentar intimidá-lo. Essas afirmações constam de sua defesa por escrito ao Conselho, que, como exige o Regimento Interno da Câmara, foi entregue na noite desta quarta-feira. Ele acusa a representação do PL de ser leviana e ofensiva à sua imagem e à da Casa. De acordo com o documento, a representação do PL com acusação de crime contra a honra deveria ser dirigida ao Supremo Tribunal Federal e não ao Conselho de Ética.
Jefferson também rejeita os termos da representação que o acusam de abuso de prerrogativas. O deputado cita o artigo 53 da Constituição Federal, que lhe garante "a inviolabilidade material por suas opiniões, palavras e votos".

Provas e depoimentos
Jefferson solicitou, a fim de comprovar sua inocência, que o Conselho ouça os ministros José Dirceu, Ciro Gomes e Valfrido Mares Guia; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP); e os deputados Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Carlos Rodrigues (PL-RJ), José Janene (PP-PR) e Sandro Mabel (PL-GO) — todos apontados como eles como operadores do mensalão. Também pediu os depoimentos dos deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e da deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Leréia foi o primeiro a noticiar que o deputado Sandro Mabel teria feito uma oferta em dinheiro à deputada para que ela mudasse de partido. O deputado Miro Teixeira (PT-RJ) também deveria ser ouvido, segundo o documento.
Além desses, Jefferson pede que sejam ouvidos o ex-deputado federal Benedito Domingos, presidente do PTB-DF; da ex-mulher de Valdemar Costa Neto, Maria Cristina Mendes Caldeira; do secretário de finanças do PT, Delúbio Soares; do presidente do PT, José Genoíno; do secretário-geral do PT, Sílvio Pereira; de Marcos Valério, publicitário em Belo Horizonte (MG), acusado de ser intermediário no mensalão; da secretária do publicitário, Fernanda Karina Somaggio, que o acusou de empacotar malas de dinheiro para o PT; do ex-deputado José Francisco Neves, presidente da Valec, empresa que seria suspeita de corrupção; e dos ex-diretores dos Correios Eduardo Medeiros e Maurício Madureira.
Por fim, pede que seja requerido ao Banco Central que averigue saques bancários em dinheiro superiores a R$ 100 mil, do Banco do Brasil e do Banco Rural, no período compreendido entre março de 2004 e junho de 2005. Segundo Jefferson, o dinheiro destinado ao mensalão estava etiquetado com rótulos desses bancos.

Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição – Patricia Roedel

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