Combate ao trabalho infantil no Brasil recebe elogios

15/06/2005 - 17:43  

Tanto a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Alysson Sutton, quanto a diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no País, Laís Abramo, reconheceram há pouco os esforços do governo e da sociedade brasileira para prevenção e erradicação do trabalho infantil. As duas falaram na audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Para elas, o País é efetivamente uma referência mundial nessa questão.
Segundo Laís Abramo, o Brasil ocupa esse posto porque tem a questão como política pública de Estado e por conta da participação da sociedade civil. Ela destacou a existência do Fórum Nacional pela Erradicação do Trabalho Infantil, que considera como experiência fundamental. "O País aos poucos criou uma consciência nacional de que o trabalho infantil é um atentado aos direitos humanos e compromete o futuro das crianças e adolescentes", ressaltou a diretora da OIT, embora admita que ainda há setores que não pensam dessa forma e acham positivo iniciar precocemente a criança no mercado de trabalho.

Desafios
Abramo e Sutton também concordaram que ainda existem muitos desafios no combate ao trabalho infantil. A diretora da OIT destacou que o País ainda tem 2,7 milhões de crianças até 15 anos nessa situação, e que o número sobe para 5 milhões se forem consideradas pessoas até 18 anos.
Por causa desse problema latente, Abramo defende a necessidade da ampliação de políticas de geração de emprego e renda, integradas às políticas voltadas à erradicação do trabalho infantil. Em sua opinião, só dessa forma, dando suporte às famílias, pode-se combater a causa do trabalho infantil.

Gênero e raça
Abramo defendeu também que as políticas de erradicação do trabalho infantil tenham tratamento diferenciado em relação a gênero e raça. Embora ainda seja maior o número de meninos encontrados nessa situação, ela enfatiza que a porcentagem de meninas vem crescendo e isso é preocupante, principalmente na questão do trabalho infantil doméstico e da exploração sexual.
Em relação à raça, a diretora da OIT explica que os dados mostram que há uma maioria de negros e afrodescendentes entre as crianças encontradas em condições de trabalho precoce.

A audiência continua no plenário 9 e agora está aberta ao debate.

Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição - Marcos Rossi

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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