Posição do PTdoB não é unânime em relação ao pedido de impeachment
16/04/2016 - 16:38

O PTdoB, 22º partido a falar sobre a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, está com seus deputados divididos.
O vice-líder do governo deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE) defendeu o governo Dilma e criticou o processo de impeachment como uma medida para um grande acordo para manter o cargo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
“Isto aqui não é para derrubar Dilma, mas para livrar Eduardo Cunha da cadeia. É isso que vocês querem? Estão defendendo o impeachment da boca pra fora, vocês sabem que não tem motivo”, disse.
Costa afirmou que está com “nojo” do vice-presidente Michel Temer porque ele estaria a dois anos “conspirando contra a presidente”. “Dilma não roubou um real. Esse Michel Temer e Eduardo Cunha são iguais e se merecem, a diferença é que um foi pego e outro ainda não”, afirmou. De acordo com ele, o então auxiliar de Temer na articulação do governo, Eliseu Padilha, teria recebido um mapa com todos os cargos políticos do Executivo federal e estaria usando essa informação para garantir votos a favor do impeachment.
Repactuação
Para Costa, a imprensa faz uma cobertura enviesada ao falar da repactuação de cargos no governo federal com críticas e não comentar da mesma maneira possíveis articulações de Michel Temer para um eventual governo. “Nós estamos no governo e não podemos repactuar. Mas Michel Temer pode oferecer cargo e ministério e não vejo nenhuma matéria pesada sobre isso.”
O apoio ao impeachment do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, teria como interesse, segundo Costa, um possível ministério em um eventual governo de Temer. “Skaf, você vai para o ministério sim, para o Ministério Público Federal”, afirmou, ao criticar o executivo.
Impeachment de Dilma e Temer
Já o deputado Cabo Daciolo (RJ) pediu o impeachment tanto da presidente Dilma quanto do vice-presidente, Michel Temer. “Ambos cometem crime de responsabilidade fiscal. Se Dilma cometeu, Michel Temer também comete. Porque todas as vezes que ela viaja, ele assume a cadeira. Ele assina decretos sem números, ele abre crédito no valor de R$ 10,8 milhões”, disse. O deputado foi autor de pedido de impeachment de Temer arquivado por Eduardo Cunha.
Segundo Daciolo, tanto PT e PMDB são culpados pelos problemas nas áreas da saúde, educação e segurança pública no País, assim como partidos que estiveram à frente do Executivo nacional antes (PSDB e DEM).
Para o deputado, há uma chance de o País recuperar a economia. “Se não acontecer o que estou falando agora, eu entrego minha cadeira de deputado federal. Ou vocês vão se unir em Deus e abrir o coração ou todos vão cair”, disse em relação Dilma, Temer, Cunha e ao senador Aécio Neves (PSDB-MG).
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Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Alexandre Pôrto