Política e Administração Pública

Psol é contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff

16/04/2016 - 12:27  

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O líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), se manifestou neste sábado (16) contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo o parlamentar, não há crime de responsabilidade envolvendo a chefe do Executivo. “É uma grande farsa e uma grande fraude para se chegar a um acordão entre a elite brasileira, os grandes meios de comunicação e a articulação de direita que foi feita para substituir o governo”, afirmou o líder.

Segundo ele, o Psol é um partido de oposição, sem cargo no governo, que não vai atrás de emendas parlamentares e é intransigente contra a corrupção. “Foi o único partido que teve coragem de desafiar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que vergonhosamente ocupa a cadeira de presidência”, disse.

Ele acusou parlamentares que estão envolvidos com denúncias de corrupção de estarem abraçados na bandeira do Brasil. Valente também defendeu a investigação a todos e disse que o Psol vai denunciar qualquer acordão que vise abafar a operação Lava-Jato. Alguns deputados se manifestaram contrário à fala do parlamentar: “Cala a boca, palhaço”, reagiu o líder do Psol.

Ele acusou o vice-presidente Michel Temer de querer promover um ajuste fiscal mais rigoroso do que o apresentado por Dilma. “Será que o povo vai ter vez e voz? Vai haver a taxação das grandes fortunas, das grandes heranças, vai ter auditoria da dívida pública? Vai ter autonomia do banco central, reforma da Previdência, reforma trabalhista e abolição da CLT. Mais arrocho fiscal, privatizações. Essa é a política anti-povo”, acusou.

O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) se disse constrangido de participar de um processo de impeachment contra uma presidente contra a qual não pesa nenhum crime de responsabilidade. “Esse processo de impeachment só não é tratado por um escândalo pela grande mídia, porque ela tem interesse na derrubada do governo. A grande mídia não se importa de estar ao lado de um gângster”, criticou.

Para Wyllys, o processo de impeachment é o terceiro turno das eleições presidenciais. “É uma eleição indireta para a Presidência da República, forçada por partidos que nunca ganharão a presidência por voto direto. Trata-se de cassar 54 milhões de votos”, disse.

Para o deputado, é por convicção e amor à democracia que vai votar contrário ao impeachment. “Não é por Lula, não é por Dilma, mas é pela democracia”, afirmou Wyllys.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que o sistema político partidário está podre. “Esse sistema de capitalismo de compadrio não pode prosseguir sob pena de enganar a população”, criticou Alencar.

Ele lamentou que o PT tenha entrado no esquema de corrupção que sempre condenou, mas reafirmou que o impeachment da forma como está sendo apresentado é uma farsa. “É uma pedalada jurídico-legislativa”, criticou.

Segundo ele, há um acordo para acabar com a Lava-Jato. “Colocou o carimbo de corrupto no PT, e o PT fez por merecer, mas deixou PMDB, PP, PSDB de fora. É um conluio de partidos e da mídia hegemônica”, criticou.

Para o deputado Edmílson Rodrigues (Psol-PA) não houve crime cometido pela presidente Dilma e se ela ganhar a votação amanhã (17), terá chance de mudar a politica econômica. “A presidente tem uma chance a mais para fazer diferente. Fazer diferente é fazer auditoria da dívida, reduzir o superávit primário, pois quando se aumenta o lucro de banqueiros, se diminui a possiblidade de investimentos e na valorização do serviço público”, disse o parlamentar.

A deputada Luíza Erundina (Psol-SP) criticou a ausência do presidente Eduardo Cunha e também a interrupção da transmissão pela GloboNews no momento em que o Psol assumiu a tribuna. Segundo ela, há um desapreço pela democracia disseminado pela grande mídia.

Segundo ela, o impeachment da presidente Dilma é prova desse desapreço. “Querem depor uma presidente eleita por manobras fiscais que ocorrem em todas esferas do Poder Executivo, e que, até então, não haviam sido qualificadas como crime de responsabilidade”, criticou.

Para Erundina, a oposição conservadora desembarca do governo para levar adiante sua agenda regressiva. “São legendas policialescas e excludentes. Seu objetivo é voltar ao poder sem esperar as próximas eleições”, criticou.

Ela criticou a condução do processo de impeachment pelo presidente Eduardo Cunha, que é réu no Supremo. “Isso desmoraliza essa Casa e enxovalha a imagem do Brasil no mundo. Tudo indica que é um jogo de cartas marcadas. O próprio vice-presidente tem audácia de falar como se a chefe de Estado já tivesse sido afastada.”

Luiza Erundina finalizou seu discurso defendendo a legalidade democrática. “Temos que salvar a qualquer preço a democracia e o estado democrático de direito. Temos que pensar no legado dos que virão depois de nós”, disse Erundina.

Durante a fala de Erundina, deputados do PT e do Psol estenderam uma faixa “Fora, Cunha e não ao golpe”, enquanto parlamentares da oposição estenderam faixa defendendo o impeachment e “Fora, PT”. Uma pequena confusão se instalou no Plenário da Câmara.

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Reportagem - Luiz Gustavo Xavier
Edição – Newton Araújo

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