Líder e dois deputados do Pros declaram-se favoráveis ao impeachment; um contra
Durante o tempo destinado ao Pros na discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, três deputados se declararam favoráveis ao impedimento e um deputado se disse contra a abertura do processo.
O líder do Pros, deputado Ronaldo Fonseca (DF), disse que os parlamentares não podem virar as costas para a opinião das ruas. Segundo ele, os partidos políticos e o Congresso Nacional têm que recuperar sua credibilidade perante a população. “Quem serão os ‘judas’ do Congresso Nacional que irão trair a população, que estarão se vendendo? Quantos irão faltar amanhã e não virão fazer a sua escolha?”, questionou. “Escolham o lado, mas sejam fiéis à sua base”, completou.
Para Fonseca, o Brasil não está dividido e já fez a sua escolha: “Está claro que o Brasil quer o impeachment; o mercado está esperando isso.” O deputado afirmou estar convencido de que houve crime de responsabilidade. “Se houve crime, não estamos fazendo golpe; a democracia não está sendo ferida; a democracia está sendo valorizada.”
O deputado Felipe Bornier (Pros-RJ) disse que não tem “o rabo preso com o governo” e que tem “a liberdade de votar com a população”. Para ele, quem votar contra o impeachment será taxado de covarde. “Não vou compactuar com este governo corrupto, que criou vários decretos não autorizados, configurando crime de responsabilidade, e não vou compactuar com essa política ultrapassada”, destacou.
Bornier acusou o governo de tentar comprar votos de deputados, de quebrar a Petrobrás, de fazer dinheiro de caixa 2, de promover estelionato eleitoral e de obstruir a Justiça. “Que o PT tenha vergonha na cara”, bradou. Ele também acusou o partido de querer se manter no poder a qualquer custo.
O deputado reclamou ainda que o governo não libera recursos de emendas parlamentares. Além disso, acrescentou que a autoestima do brasileiro está baixa e que há crise moral e ética no País. Durante a fala do deputado, alguns deputados gritaram “Fora PT” e a fala dele foi interrompida uma vez por conta do alvoroço no Plenário.
Golpe
O deputado Odorico Monteiro (Pros-CE) afirmou que espera que seus filhos só conheçam golpe pelos livros. Na visão dele, o Parlamento discute o impedimento de uma presidente honesta. “Votar um impeachment sem crime é golpe”, opinou.
Ele afirmou que a democracia brasileira é jovem – com só 30 anos de vida – e está sendo ameaçada. “Faço parte de uma geração de nordestinos que vivenciou estes 30 anos e viu o que o Nordeste foi antes e depois de 2003”, disse, defendendo “o legado do ex-presidente Lula e da presidente Dilma”.
Como parte desse legado, ele citou a redução da mortalidade infantil e da mortalidade materna, por conta de ações do Sistema Único de Saúde. O parlamentar também elogiou programas como Água para Todos, Luz para Todos, Bolsa Família e Mais Médicos.
Durante a fala do deputado, os gritos “Fora PT” e “Impeachment já” continuaram, e o deputado respondeu: “Eles não querem ouvir, mas eles vão ter que ouvir a verdade. Os golpistas estão animados. Eles querem o golpe no tapetão.” O deputado acredita que o impeachment não passará e defendeu mais diálogo e um novo pacto nacional.
Gritos do povo
Já o deputado Eros Biondini (Pros-MG) se declarou favorável ao relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) pela admissibilidade do processo de impeachment. Ele afirmou que “não vai tapar os ouvidos aos gritos do povo”. Para ele, o Brasil precisa de “um novo tempo e um futuro melhor”. “Temos que dar esta chance e esta oportunidade a nossas famílias e à nossa sociedade”, apontou.
O parlamentar falou que lutou muito para que o governo investisse no combate às drogas. “As comunidades terapêuticas que acolhem nossos jovens o fazem sem nenhum apoio. É obrigação do poder público custear esse tratamento”, afirmou. “Hoje sabemos por que não há dinheiro: está sendo usado por criminosos que roubaram nossa Petrobrás e tantas outras estruturas”, completou.
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