Residência para medicina geral cria polêmica no Plenário
09/10/2013 - 17:21
O deputado Eleuses Paiva (PSD-SP) defendeu há pouco a derrubada do ponto do projeto da MP do Mais Médicos (621/13) que cria o programa de residência em medicina geral de família e comunidade, cuja realização será pré-requisito para o ingresso em outras especialidades, como clínica médica, cirurgia geral, a partir de 2019.
Conforme a MP, essa especialidade em medicina geral será voltada para especificidades do Sistema Único de Saúde (SUS), como atuação em urgência e emergência, atenção domiciliar, saúde mental, saúde coletiva, entre outros. O Plenário discute, neste momento, o destaque do PSD para retirar esse ponto do texto.
Paiva sustenta que, ao criar esse pré-requisito, o projeto vai ampliar em vários anos a formação de especialistas. "Com essa residência universal, o Brasil vai demorar de 12 a 13 anos para colocar no mercado um especialista e, em determinadas especialidades jurídicas, poderá chegar a 15 anos. Nada contra a atenção básica, mas não podemos desconstruir a formação de um especialista", disse. Ele teve o apoio do deputado Mandetta (DEM-MS), que também criticou a ampliação do tempo de formação.
Os dois deputados dizem que o médico terá de fazer um ano de residência geral antes de ir para a clínica médica, e depois retornar para outros dois anos de residência geral antes de ir para uma outra especialidade como, por exemplo, cardiologia.
Relator
O relator do projeto, deputado Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu a criação dessa residência voltada para o SUS. Segundo ele, o Brasil vai começar a formar médicos especialistas na atenção básica. "Temos há 20 anos programas como o Saúde na Família e nós ainda não temos formação de médicos especializados para trabalhar nesse programa. Essa alteração vai garantir que o SUS vai ter médico especializado em medicina geral e de família", disse.
Carvalho negou que o tempo de formação do médico será ampliado, pois a residência em medicina geral vai substituir a exigência de outros requisitos. "Essa residência será feita em substituição e aquelas especialidades que tinham pré-requisito em clinica médica e cirurgia geral terão de compatibilizar o tempo. Não há aumento do tempo de formação", declarou.
Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Marcelo Oliveira