Política e Administração Pública

Procurador diz que falta investigar o braço empresarial do grupo de Cachoeira

21/08/2012 - 11:56  

Leonardo Prado
Daniel Salgado (procurador da República)
Procurador quer manter bens sequestrados.

O procurador Daniel Rezende Salgado disse, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que as investigações do Ministério Público Federal ficaram restritas à exploração de jogos pela organização de Cachoeira.

"A antecipação da Operação Monte Carlo, por causa do vazamento de informações, fez com que deixássemos de investigar outras áreas. Havia uma parte empresarial do grupo criminoso e não conseguimos investigar. Temos um material bruto que precisa ser submetido a análise", afirmou. “O que nós conseguimos visualizar foram transferências de capital que poderia ter sido arrecadado na jogatina, em atividades ilegais, para empresas idôneas, numa mistura de capitais”, disse ele.

Outra ligação que apontou entre a exploração de jogos ilegais e a empreiteira Delta foi o fato de que “Cachoeira recebia pessoas na sede da Delta”.

“Mas não conseguimos fazer nenhuma investigação nesse viés empresarial. Nosso trabalho nessa área foi muito incipiente”, reafirmou.

Bloqueio de recursos
O procurador disse que até agora foram bloqueados pela Justiça R$ 167 milhões em bens móveis e imóveis da organização criminosa. Esse bloqueio está sendo questionado na justiça. “Precisamos ver se conseguimos manter o sequestro de bens”, afirmou.

De acordo com o procurador, os trabalhos a serem desenvolvidos pelo Ministério Público a partir de agora devem focar a quebra da espinha dorsal, a fonte financeira, da organização de Cachoeira.

Salgado também falou das dificuldades em investigar por causa da presença de policiais militares, civis e federais na organização criminosa. "Como era difícil o trabalho de campo, tivemos de usar as interceptações telefônicas", disse.

De acordo com ele, os depoimentos de hoje pouco podem ajudar no avanço do trabalho da CPMI.

Salgado afirmou que o Estado faz um trabalho meramente paliativo. “Você fecha uma casa de jogos e ela logo migra para outra cidade”, disse.

A comissão está reunida na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

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* Matéria atualizada às 12h21

Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Wilson Silveira

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