Deputados reclamam de desrespeito a Rose de Freitas na condução dos trabalhos
28/06/2011 - 21:18
Antes de o Plenário concluir a votação de um destaque do PSDB à Medida Provisória 527/11, os líderes da oposição discordaram de decisão da 1ª vice-presidente, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), na condução dos trabalhos, de continuar a sessão depois do término regimental de sua duração (até as 20 horas) porque os partidos estavam no processo de orientação de bancadas. Rose de Freitas foi defendida por diversos parlamentares.
Os líderes da oposição argumentaram que a continuidade dos trabalhos na mesma sessão somente seria possível se os deputados já estivessem registrando seus votos no painel eletrônico.
Vários deputados discutiram com Rose de Freitas em voz alta e exigiram que o presidente da Câmara, Marco Maia, retornasse ao Plenário para decidir a questão.
O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), acusado por várias deputadas da bancada feminina de desrespeitar a 1ª vice-presidente, disse que não faltou com o respeito na discussão. “Quando me dirijo à deputada Rose de Freitas o faço da mesma forma como me dirijo ao presidente. Todos sabem que, às vezes, defendo arduamente meus pontos de vista sobre a interpretação do Regimento. Fui duro, fui veemente como sou com qualquer um para defender meus argumentos, mas não faltei com o respeito”, avaliou o líder da oposição.
Magalhães Neto ressaltou que o episódio não pode servir para deixar em segundo plano o fato de que, segundo ele, o governo estava tentando mudar de forma indevida as regras de licitações para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Reação
O episódio motivou debates no Plenário. "A bancada do PT está solidária à presidenta Rose de Freitas. Não aceitamos a intolerância da oposição de querer depor a Presidência do comando desta Casa. Isso é um absurdo! Nós não vamos acatar esse tipo de comando aqui nesta Casa”, disse o deputado Sibá Machado (AC).
Os líderes da Minoria e do PSDB, deputados Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e Duarte Nogueira (SP), respectivamente, argumentaram que Magalhães Neto agiu corretamente ao pedir que o Regimento Interno da Câmara fosse seguido durante os trabalhos.
Já o deputado Rui Costa (PT-BA) avaliou que o encaminhamento de Rose de Freitas durante a votação foi correto. “Não posso deixar de prestar minha solidariedade à vice-presidente. Eu sinto muito que um deputado se dirija à presidente em exercício aos gritos, de forma desrespeitosa, como aqui foi feito”, afirmou. Magalhães Neto reiterou que não agiu de maneira desrespeitosa.
Segundo a deputada Luci Choinacki (PT-SC), "pode-se discordar de alguém, mas não se pode tirar a palavra dela". "Quando há um homem na Mesa, eles não o desrespeitam nem desautorizam como fizeram com a presidente Rose de Freitas", afirmou.
Foro íntimo
Depois de vários deputados se manifestarem, a deputada Rose de Freitas disse que não voltará a sentar-se na cadeira da Presidência antes que o presidente Marco Maia converse com as lideranças partidárias para que mudem sua atitude. “Tomei essa decisão de foro íntimo. É verdade sim que os deputados se exaltaram e isso me cansou. Eu tenho respeitado o deputado ACM Neto, mas disse várias vezes que não precisa gritar, não precisa se exaltar”, argumentou.
Rose de Freitas disse que sempre que houve um erro de sua parte ou da Secretaria-Geral da Mesa ela voltou atrás. “Se queremos igualdade, precisamos começar com o respeito. Não quero ser vítima de nada, mas também não aceito ser desrespeitada”, disse.
(*) Matéria atualizada às 22h26.
Reportagem – Eduardo Piovesan e Carol Siqueira
Edição – Marcos Rossi