Conselho aprova cassação de José Mentor

30/03/2006 - 14:39  

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar acabou de aprovar o parecer o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) que recomenda a cassação do mandato do deputado José Mentor (PT-SP). O documento foi aprovado por nove votos a quatro. Trata-se de um segundo parecer sobre o caso - o parecer vencedor -, já que o anterior, do deputado Edmar Moreira (PFL-MG), foi rejeitado na semana passada por recomendar a absolvição do deputado do PT.
Do relatório aprovado hoje foram excluídos os comentários a respeito da qualidade dos trabalhos feitos pelo escritório de advocacia de Mentor.

Acusação e defesa
José Mentor é acusado de beneficiar-se de recursos do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do esquema do "mensalão", por ter recebido R$ 120 mil da empresa 2S Participações, pertencente a Valério e sua mulher.
Em sua defesa, o petista argumentou que recebeu o dinheiro como pagamento de três pareceres jurídicos elaborados por seu escritório de advocacia para o escritório Tolentino & Melo Assessoria Empresarial – que tem Marcos Valério como sócio. Mentor nega relação de Marcos Valério com o pagamento.

Os votos
Votaram a favor do relatório os seguintes deputados: Orlando Fantazzini (Psol-SP), Júlio Delgado (PSB-MG), Moroni Torgan (PFL-CE), Chico Alencar (Psol-RJ), Jairo Carneiro (PFL-BA), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), Benedito de Lira (PP-AL) e o próprio relator Nelson Trad.
Manifestaram-se contra o relatório, portanto favoráveis à manutenção do mandato de Mentor, os deputados Ann Pontes (PMDB-PA), Neide Aparecida (PT-GO), Josias Quintal (PSB-RJ) e o relator anterior, Edmar Moreira.

Testemunha
O conselho ouve agora o aviador Carlos Eduardo Navarro, como testemunha de defesa no processo contra o deputado Vadão Gomes (PP-SP). O parlamentar é acusado de receber R$ 3,7 milhões do suposto esquema do "mensalão". Segundo Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, os pagamentos teriam sido feitos em espécie diretamente ao deputado, em duas ocasiões, em um hotel de São Paulo.
Em sua defesa, Vadão Gomes garantiu que não recebeu o dinheiro e negou qualquer envolvimento com Marcos Valério e Delúbio. O parlamentar prometeu comprovar que não esteve em São Paulo nas duas datas em que teria recebido o dinheiro.

O encontro ocorre no plenário 9.

Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Sandra Crespo

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