Deputada recusa agenda de Karina como prova contra Mentor

30/03/2006 - 14:09  

A deputada Neyde Aparecida (PT-GO) posicionou-se contra o relatório do deputado Nelson Trad (PMDB-MS), que recomenda a cassação do deputado José Mentor (PT-MS) por recebimento de vantagem indevida. Neyde Aparecida defendeu que a agenda da secretária Fernanda Karina Somaggio, que trabalhou para o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, não pode ser aceita como prova inquestionável, pois as anotações podiam ser feitas a qualquer momento. "Na dúvida, em qualquer julgamento, temos de acreditar na versão da pessoa julgada", comentou.
O relatório de Nelson Trad, apresentado há pouco no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, concluiu que José Mentor recebeu R$ 120 mil da 2S Participações, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que teria atuado como lobbista do Banco Rural. A instituição financeira era investigada em 2003 pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado, da qual o petista era relator. Nelson Trad observou que, na época em que Mentor recebeu os pagamentos, a CPMI interrompeu as diligências envolvendo o Banco Rural.

Encontro marcado
No parecer, Trad observou que as anotações da agenda da ex-secretária do empresário apontavam reunião entre Mentor e Marcos Valério, com referência ao banco Rural como assunto. Fernanda Karina Somaggio afirmou que Marcos Valério recebia ligações de Mentor e, depois, telefonava para o então presidente do Banco Rural, José Augusto Dummont.
Segundo a secretária, o ex-patrão se reunia sempre com Dummont no Banco Rural e na agência de publicidade SMPB, na companhia do advogado Rogério Tolentino. O Banco Rural também é suspeito de financiar o esquema do "mensalão".
Em sua defesa, Mentor afirmou que seu escritório de advocacia recebeu os R$ 120 mil para elaborar pareceres jurídicos à banca Tolentino, Melo e Associados.
O escritório presta serviços a Marcos Valério. Um dos sócios da banca, o advogado Rogério Tolentino, também é sócio do empresário em outra empresa, a Tolentino & Melo Assessoria Empresarial.

Qualidade dos pareceres
O deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP) concordou com a afirmação do parecer de Nelson Trad de que Mentor teria recebido vantagem indevida. No entanto, o parlamentar sugeriu que não seja colocada no relatório uma conclusão sobre a qualidade dos trabalhos. "Não nos compete fazer esse julgamento", avaliou.

A votação do relatório começará em instantes, no plenário 9.

Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Francisco Brandão

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