Delegado relata prisão de integrante do PCC
22/09/2005 - 11:44
O delegado da Polícia Civil de São Paulo Aldo Galiano Junior explicou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas como foi a operação que resultou na prisão de Ricardo Ramos, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) que também vai depor hoje na CPI.
Segundo o delegado, foi uma denúncia anônima que levou a Polícia Civil de São Paulo há dois meses a prender Ramos, que já responde a cinco processos e era foragido da Justiça. Já existia um mandado de prisão expedido contra ele por suspeita de envolvimento em arrastões em condomínios de luxo na Grande São Paulo.
Galiano Junior informou também que o míssil encontrado na casa de Ramos poderia ter sido roubado em um assalto a algum quartel do Exército no Rio de Janeiro, o que, segundo ele, ocorre com freqüência. Ele explicou que a carcaça do artefato apreendido é de uso do Exército colombiano, mas as Forças Armadas brasileiras compram esse tipo de item como ferro-velho e o recuperam para treinamento.
O míssil foi periciado por técnicos do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que constataram ser uma peça inativa, sem munição. No entanto, já estava sendo providenciada a recarga caseira do armamento.
Na casa de Ramos foram encontradas ainda pequenas quantidades de pólvora branca e amônia, comumente usadas para fazer explosivos caseiros, de acordo com o delegado.
Estatuto do PCC
Também foi encontrada com Ramos uma cópia do estatuto do PCC. Galiano Junior lembrou que um dos artigos do documento diz que os membros do "partido" são responsáveis por realizar ações de resgate dos amigos presos. A polícia investiga a hipótese de que o míssil apreendido seria usado para derrubar os muros da penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes (SP) para tentar resgatar o traficante Fernandinho Beira-Mar.
O delegado lembrou que outra apreensão semelhante ocorreu há cerca de duas semanas em Santo André (SP). Os policiais encontraram um míssil que também tinha a numeração raspada e possivelmente fora comprado em sucatas do Exército.
O presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse que é cada vez mais comum a utilização por parte do crime organizado de "laranjas", pessoas de idoneidade moral comprovada, para que se cadastrem como colecionadores, facilitando o acesso a armas de uso restrito tidas como sucata, mas de fácil recuperação nas mãos de armeiros. Assim, elas voltariam às ruas em ações do crime organizado.
Controle de presídios
De acordo com o estatuto do PCC, o grupo hoje domina o sistema carcerário de Rio e São Paulo, e, em pouco tempo, graças a uma união com o Comando Vermelho e outras facções criminosas, controlará presídios do Brasil inteiro.
Torgan disse que essa é uma triste realidade, lembrando que fora dos presídios, principalmente em favelas desses dois centros urbanos, o crime organizado domina, mas ações policiais bem-sucedidas têm conseguido evitar que o caos se generalize. "O crime está organizado e bem armado, mas os nossos efetivos policiais ainda estão em maior número e mais organizados. Isso é um ponto positivo para a sociedade", destacou.
A CPI está reunida no plenário 5. Logo depois do depoimento de Galiano Junior, falará Roberto Ramos. Reportagem - Giulianno Cartaxo
Edição - Marcos Rossi
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