Homem preso com míssil nega envolvimento com PCC
22/09/2005 - 12:39
Começou há pouco na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas o depoimento de Roberto Ramos, acusado de ser integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e preso há dois meses em São Paulo por suspeita de envolvimento em assaltos a condomínios de alto luxo.
Ramos negou fazer parte de qualquer grupo criminoso e disse que, depois de sair da cadeia, onde cumpriu pena por roubo, não conseguiu mais emprego.
Quando questionado pelo relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sobre a origem do míssil encontrado pela polícia em sua casa, Ramos disse que foi procurado por um homem durante uma quermesse e recebeu dinheiro para guardar o artefato por oito dias. O depoente disse não lembrar o nome desse homem e não revelou o valor da quantia paga.
Ramos também negou ter declarado em depoimento na Polícia Civil de São Paulo que o míssil seria usado para libertar o traficante Andinho ou qualquer outro integrante do PCC ou do Comando Vermelho.
Farc
O delegado da Polícia Civil de São Paulo Aldo Galiano Junior, que depôs antes de Ramos, disse que o preso é técnico em explosivos, formado dentro do PCC com a ajuda de exércitos de guerrilha internacionais, a exemplo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo Galiano Junior, a ligação entre o narcotráfico brasileiro e a guerrilha surgiu com o traficante Fernandinho Beira-Mar, que viu nas Farc uma oportunidade para trocar armas roubadas no Brasil por drogas e treinamento de guerrilha.
Ainda de acordo com o delegado, pessoas dessa milícia colombiana vinham ao Brasil periodicamente dar treinamento aos "soldados" do tráfico.
A CPI está reunida no plenário 5. Reportagem - Giulianno Cartaxo
Edição - Marcos Rossi
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