Saúde

Microcefalia pode afetar fala e desenvolvimento motor

16/02/2016 - 17:21  

Crianças com microcefalia podem ter sintomas variados, mas a grande maioria apresenta a fala e os movimentos comprometidos. Algumas delas têm a vida limitada à adolescência ou ao início da idade adulta.

“Em geral, esses pacientes possuem alterações visuais e de ordem osteomuscular. Dependendo da intensidade da microcefalia, o prognóstico vai mudar”, explica o médico Carlos Brito, que é também professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e consultor do Ministério da Saúde. “Algumas crianças apresentam limitações muito grandes”, completa ele.

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Beatriz, de 9 anos, tem microcefalia e vai cursar o 1º ano do ensino fundamental: acompanhamento profissional multidisciplinar e apoio da família tem sido fundamental para os avanços cognitivos da menina

Não é o caso de Beatriz, moradora de Valparaíso (GO). Aos nove anos, ela tem bastante autonomia, apesar de ainda não articular palavras. Os pais descobriram que Bia, como é chamada, tinha microcefalia quando ela tinha três meses.

Elaine e Cleiton foram rápidos no tratamento da tratamento da filha. O pai é fisioterapeuta, o que ajudou o casal a começar a levar a menina a sessões de reabilitação já aos nove meses de idade, na Rede Sarah Kubitschek, em Brasília.

Hoje, Bia anda de joelhos. É a forma que ela se sente mais conformável, uma vez que não gosta de usar andador. “Começou engatinhando normal, com um ano e três meses. Com quatro para cinco anos, foi quando ela descobriu essa maneira de se deslocar”, relata a mãe.

Beatriz está matriculada no 1º ano do ensino fundamental, em uma escolar regular, porém inclusiva. O desafio deste ano será a alfabetização.

“Já parei para pensar como vai ser agora. É a primeira vez que estou comprando livros separados. Ela desenha e faz os rabiscos mais lindos”, diz Elaine, que comemora os avanços da filha.

Formada em Direito, a mãe desistiu da carreira que começava na Procuradoria Geral da República (PGR) para se dedicar a Bia em tempo integral.

Tratamento
Especialistas apontam a importância do tratamento multidisciplinar por toda a vida para quem tem microcefalia. Além de acompanhamento médico (principalmente neurologista e oftalmologista), os pacientes precisam de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Com a ajuda de brinquedos, a terapeuta Mônica Lemos tenta antecipar os problemas motores que as crianças com microcefalia podem vir a ter. E também incentiva os movimentos das que já apresentam limitações. “É fundamental a estimulação visual precoce”, exemplifica.

Mônica também ressalta a importância do apoio familiar: “Os avanços tendem a ser mais perceptíveis com essa ajuda”.

Reportagem – Mariana Monteiro
Edição – Marcelo Oliveira

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