Saúde

Para pesquisadores, País pode ter geração de pessoas com microcefalia

16/02/2016 - 17:19  

Uma pergunta tem ecoado pelo Brasil durante este verão marcado pela disseminação do zika vírus: o País presenciará uma geração de pessoas com microcefalia? Depende da rapidez e do alcance das pesquisas que buscam uma vacina contra o vírus, responde o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Carlos Brito, pioneiro nos estudos que comprovam a relação entre o zika e a má-formação cerebral.

“Como temos muita dificuldade de vencer a batalha contra o Aedes aegypti [vetor do vírus], continuarão acontecendo episódios de infecção de zika em gestantes. Assim, teremos uma parcela dessas mães infectadas com seus filhos desenvolvendo microcefalia”, declara.

Brito explica que um dos fatores que determinam se a criança nascerá ou não microcefálica é a quantidade de vírus presente no organismo da mãe, a chamada carga viral.

Por sua vez, o vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Vancler Rangel Fernandes, é categórico: para ele, haverá, sim, uma geração de microcefálicos no País. “O Brasil certamente já está marcado por essa doença. Ninguém sai de 160 ocorrências por ano para 3 mil sem achar que isso é uma gravíssimo problema de saúde pública”, sustenta.

O diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, diz que o crescimento vertiginoso do número de casos já inseriu a epidemia nacional na lista das grandes registradas na história. “Desde a gripe espanhola, provavelmente essa é a maior crise que estamos vivendo. Vivemos hoje uma epidemia de microcefalia.”

Reportagem – Mariana Monteiro
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.