Promotor explica como atuam os grupos de extermínio

14/10/2003 - 18:24  

O promotor de justiça de Pernambuco Edgar Braz Mendes, que integra o Núcleo Integrado de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público, explicou à CPI que investiga a ações de extermínio no Nordeste como operam os grupos criminosos.
Segundo ele, os integrantes destes grupos - em geral policiais ou ex-policiais - apresentam-se como integrantes de grupos de segurança privada e exigem pagamento voluntário dos comerciantes a cada oito dias. Para atuarem como seguranças, os integrantes destes grupos matam devedores dos comerciantes e, depois de se tornarem conhecidos, são cooptados por traficantes de drogas para matar desafetos. Na avaliação do promotor, "trata-se de um Estado dentro do Estado".

MORTES PARECIDAS
O promotor informou que levantamento quantitativo realizado pelo Ministério Público identificou a existência de grupos de extermínio em 11 municípios. Entre eles, destaca-se Os Abelhas, que atua na região da Mata Norte, a 40 Km de Recife, no município de Paudalho, e já foi desbaratado. Segundo Edgar Mendes - que trabalhou diretamente na investigação do quadrilha - este grupo é responsável pela morte de 92 pessoas - todos tinham ferimentos na cabeça e no tórax, corte no pescoço e estavam com as mãos amarradas. Atualmente há oito suspeitos em prisão preventiva e 3 foragidos.
O promotor - que já sofreu ameaça de morte – aponta, como maiores dificuldades para a apuração, o fato de a polícia negar a existência dos grupos e o receio dos familiares em depor. Outro grupo por ele citado foi o Anjos da Guarda, que atua em Timbaúba (PE).

PERFIL DAS VÍTIMAS
Segundo a promotora de Justiça de Itambé (PE), Rosimary Souto Maior de Almeida, em geral, as vítimas dos grupos de extermínio são adolescentes que cometeram pequenos furtos; jovens vinculados ao tráfico de drogas; ex-presidiários que estavam sendo colocados em liberdade condicional e são assassinados próximo à cadeia; profissionais ligados à área de segurança e líderes comunitários. Rosimary Almeida citou também assassinatos por opção sexual.

Reportagem - Márcia Schmidt
Edição - Maristela Sant´Ana

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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