Política e Administração Pública

Pagot diz que Demóstenes o procurou para beneficiar Delta

Outros parlamentares também teriam tentado ajudar a construtora

28/08/2012 - 21:46  

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot disse que o ex-senador Demóstenes Torres (GO) pediu ajuda para saldar dívidas com a construtora Delta. Pagot afirmou que parlamentares buscavam ajudar o andamento de obras da empresa e que foi procurado por mais políticos para conseguir verbas de campanha.

Segundo o ex-diretor, Demóstenes solicitou que a construtora Delta fosse beneficiada em algum contrato. "Respondi que lamentava e não podia atendê-lo e que o diretor do Dnit não podia reservar uma obra para a Delta."

O pedido, de acordo com Pagot, foi feito após um jantar na casa de Demóstenes, em que estiveram o dono da Delta, Fernando Cavendish, o diretor no Centro-Oeste da construtora, Cláudio Abreu, e outros dois funcionários da empresa. Esse jantar ocorreu em 2011. Pagot disse que compareceu a outro jantar na casa de Demóstenes no final de 2010, em que esteve apenas a mulher do ex-parlamentar.

Segundo Pagot, não houve privilégio da construtora Delta durante sua gestão no Dnit. "Entrei no início da execução do PAC, quando eram poucas obras executadas. Elas foram sendo implementadas e cada vez eram obras mais expressivas. Paguei R$ 26,7 bilhões de obra, licitei perto de R$ 30 bilhões. Isso fez com que todas as empresas crescessem, não só a Delta", afirmou.

Influência
Pagot disse ter exagerado ao afirmar, em entrevista, que o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) seria o operador da Delta no Dnit. “Ele [Costa Neto] só intensificava com veemência suas palavras quando eram obras de interesse da Delta”, afirmou.

Segundo Pagot, o deputado foi um dos que pediram, por duas vezes, que fosse acertado o aditivo de R$ 264 milhões para o Rodoanel de São Paulo, além de uma travessia urbana em Ubatuba (SP). Pagot reconheceu que esses pedidos não seriam papel de parlamentar.

Pagot também afirmou que o deputado Wellington Fagundes (PR-MT) era “zeloso” sobre o andamento das obras da Delta. O senador Cidinho Santos (PR-MT) defendeu o deputado. Segundo ele, Wellington Fagundes tem base eleitoral em Rondonópolis (MT) e, por isso, foi interceder pela duplicação das obras da Serra de São Vicente.

Por meio de sua assessoria, Valdemar Costa Neto informou que não vai se pronunciar sobre o assunto. Já o deputado Wellington Fagundes não foi localizado para comentar as declarações de Pagot.

Campanha
Em seu depoimento na CPMI, Pagot reafirmou que a atual ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, solicitou apoio para sua campanha ao governo de Santa Catarina. Segundo ele, em 2010, Ideli o procurou para tratar de convênios relacionados ao estado. No final da reunião, ela teria dito: “Sou candidata ao governo e preciso que me indique empresas para que eu possa buscar recursos.” Pagot disse que respondeu: “Eu não posso, não devo e não vou fazer isso”.

A assessoria da ministra disse que Ideli jamais recorreu a Pagot para solicitar recursos para campanhas ou pedir indicações de empresas para doações. O ex-diretor manteve sua versão e disse estar disposto a fazer acareação com a ministra.

Pagot afirmou que também foi procurado pelo então candidato a governador de Minas Gerais Hélio Costa. Segundo o ex-diretor do Dnit, Costa entrou em seu gabinete "com toda a entourage" e, diante da negativa de ajuda, "ele [Costa] levantou de rompante, me deu de dedo e disse que se elegeria governador e sua primeira atitude seria me tirar do Dnit".

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

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