Pagot nega ter apontado desvio de recursos para campanhas do PSDB
Ex-diretor-geral do Dnit afirma que acusação contra José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab, de desvio de recursos do rodoanel em 2010, foi "conversa de bêbado em botequim".
28/08/2012 - 12:30
O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot minimizou, na CPMI do Cachoeira, as supostas acusações que fez sobre o desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais do PSDB.
“Depois que eu tinha negado o aditivo [para uma obra do Rodoanel, em São Paulo], no final de 2010, estava almoçando no restaurante Francisco e um conhecido meu que trabalha em uma empresa me advertiu de que o aditivo tinha finalidade de contribuir com as campanhas de Serra, Alckmin e Kassab. Ao dizer isso para o repórter [da revista IstoÉ], eu ressaltei que era uma conversa de bêbado em botequim, que não dava para provar. Posteriormente, o repórter usou as palavras que quis e não as que eu disse”, afirmou.
Pagot não quis falar o nome da pessoa que o advertiu sobre o aditivo para o Rodoanel teria finalidade de contribuir com as campanhas de Serra, Alckmin e Kassab. “Não vou revelar o nome do meu amigo, mesmo sob juramento”, disse em resposta ao deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF).
Dersa
O depoente afirmou que conheceu em 2008 o ex-diretor da Dersa (empresa paulista responsável pelas estradas) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, durante uma reunião sobre o eixo sul do Rodoanel. Posteriormente, houve uma reunião com engenheiros da Dersa, que garantiram que o custo da obra não passaria de R$ 3,6 bilhões e que estava tudo acertado com as empreiteiras, cada uma responsável por um lote. Em resposta a pergunta feita pelo deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), Pagot disse ser "falso" afirmar que o aditivo para as obras do Rodoanel seriam usados, em parte, para campanhas eleitorais do estado e do município de São Paulo.
“Na parte final da obra, a Dersa encaminhou ao Dnit uma reivindicação de aditivo de R$ 264 milhões, com páginas e páginas de justificativa, como problemas ambientais e melhoria de acessos”, disse. Ele se recusou a assinar o aditivo, em razão do tipo de contrato, chamado de "empreitada global".
“Em São Paulo, esse assunto foi resolvido com um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] entre o governo estadual, a Dersa e o Ministério Público”, lembrou. O TAC foi encaminhado ao Dnit, mas ele se recusou a assinar.
“O Dnit não desembolsou nenhum centavo a mais que o R$ 1,2 bilhão previsto inicialmente”, afirmou. Ele disse que não sabe se os recursos adicionais foram desembolsados, pois saiu pouco depois do Dnit.
Campanha do PT
Pagot confirmou o que havia dito em entrevistas: que indicou empreiteiras para contribuir com a campanha da presidente Dilma Rousseff. Ele repetiu que as doações foram feitas dentro da lei. Segundo Pagot, algumas empreiteiras mostraram para ele, depois, comprovantes de doações à campanha presidencial do PT.
Ele negou que tenha comparecido a uma reunião no QG da campanha petista, no Lago Sul, para tratar do assunto. Segundo ele, o deputado federal José de Filippi (PT-SP), ex-coordendador de arrecadação da campanha, o procurou duas vezes no Dnit para pedir indicação de empreiteiras - a primeira no primeiro turno e a segunda, após as eleições presidenciais de 2010. "No primeiro turno, ele foi atendido. Selecionei umas 30 a 40 empresas e eu as contratei. Mas depois não, acreditava que as empresas não iam mais colaborar." Segundo ele, o deputado e ex-coordenador mostrou no segundo encontro que ainda tinha necessidade de arrecadação.
Em resposta ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR), Pagot afirmou que não recebeu visita ou telefonema de Dilma sobre o assunto.
A reunião da CPMI está sendo realizada na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
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* Matéria atualizada às 17h03.
Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Wilson Silveira