Ativista paraguaio pede abertura de “arquivos do terror” pelos militares
18/10/2011 - 17:38

Durante o 5º Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, o descobridor dos “arquivos do terror” da Operação Condor, Martín Almada, pediu a abertura desses arquivos pelos militares. Segundo Almada, os arquivos da Operação Condor ainda estão nas mãos das Forças Armadas de cada país latino-americano. “Os militares não queimaram”, disse o ativista paraguaio. Para ele, “o condor continua sobrevoando a América Latina”.
Ele lembrou que a Operação Condor nasceu no Brasil. Ela foi uma aliança estabelecida formalmente em 1975 entre as ditaduras militares da América Latina, visando a perseguir os que se opunham aos regimes autoritários. Além do Brasil, fizeram parte da aliança Chile, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Impunidade
Já presidente da entidade Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos do Chile, Lorena Pizarro Sierra, destacou a “impunidade de pessoas que cometeram genocídio e violações de direitos humanos” durante as ditaduras militares na América Latina. De acordo com Lorena, a impunidade dessas pessoas ainda permanece no Chile, no Brasil e no Paraguai, por exemplo.
Segundo Lorena, quando não há punição, garante-se a perpetuação das mesmas forças no poder. “Temos que pensar no que fazer para garantir a não repetição dos fatos”, disse. “No Chile, temos um presidente pertencente à mesma direita que promoveu o golpe de Estado”, completou.
Na visão da debatedora, os diferentes golpes de Estado visaram a minar as ideias libertárias e progressistas nos países da América Latina. Lorena disse ainda que os anistiados vêm sendo tratados como cidadãos de segunda classe nos países latino-americanos, e não como lutadores.
Argentina e Paraguai
Lorena ressaltou ainda a situação diferenciada da Argentina, onde a lei de anistia foi revista para permitir a punição de militares que cometeram crimes contra os direitos humanos.
Segundo a representante das vítimas da ditadura argentina no debate, Macarena Gelman, existe uma equipe naquele país que trabalha para a recuperação de corpos de desaparecidos políticos na América Latina. Ela ressaltou que a busca abrange não apenas corpos de argentinos, mas de pessoas de diversos países. Além disso, Macarena ressaltou que a reparação às vítimas deve ser não apenas econômica, mas especialmente moral.
Já Martín Almada destacou que no Paraguai foram condenados apenas 20 torturadores. Segundo ele, mais de 20 mil vítimas solicitaram reparação. Almada ressaltou ainda que houve Comissão da Verdade no Paraguai e que ela trabalhou por quatro anos.
O ex-deputado Nilson Mourão, secretário de Justiça e de Direitos Humanos do Acre, afirmou ter convicção de que o Brasil também passará sua verdade a limpo. “É direito da sociedade conquistar a sua verdade e a sua memória”, disse.
Reportagem - Lara Haje
Edição - Maria Clarice Dias