Ex-presidente de Honduras volta a agradecer apoio do Brasil contra golpe
18/10/2011 - 12:02

O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya voltou a agradecer publicamente ao governo brasileiro pelo apoio dado durante o golpe contra o seu governo em 2009. Ele reiterou o agradecimento durante o 5º Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos que acontece neste momento no Auditório Nereu Ramos da Câmara. “Nós, o povo hondurenho, temos uma dívida com o povo brasileiro que nunca conseguiremos pagar”, afirmou. Durante a crise política por que Honduras passava naquele ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio a Zelaya, que se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital do País caribenho.
Em junho de 2009, Manuel Zelaya foi detido pelo Exército em sua casa e expulso para a Costa Rica, sendo substituído por Roberto Micheletti, que assumiu a presidência. As Organizações das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenaram de forma unânime o golpe de Estado. “Foi a primeira vez na história que a ONU e a OEA condenaram um golpe de Estado”, ressaltou o ex-presidente de Honduras.
Na visão de Zelaya, quando um golpe instala um Estado de fato, e não de direito, em um país, a primeira vítima são os direitos humanos. Durante o governo de Micheletti, o Parlamento hondurenho restringiu as garantias constitucionais de liberdade pessoal, associação, circulação e tempo de detenção. “Em apenas 60 dias, houve mais de 9 mil denúncias de atentados contra os direitos humanos”, disse.
O ex-presidente de Honduras afirmou que foi acusado de comunista e populista pelos governos de direita dos Estados Unidos e da Europa, assim como aconteceu com outros governos da América Latina, como o de Lula, no Brasil, e o de Hugo Chávez, na Venezuela. Ele ressaltou ter reduzido drasticamente os índices de pobreza do país durante sua gestão.
Zelaya lembrou que o capitalismo está em crise e disse que o caminho para resolvê-la é avançar em direção a democracias participativas. “Espero que se possa avançar no processo de democratização em nossos países e que seja bem definido o papel das Forças Armadas nos países da América Latina”, afirmou. “É preciso passar das democracias tradicionais às democracias participativas. Só com a democracia participativa teremos a garantia dos direitos humanos", concluiu.
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Reportagem – Lara Haje
Edição – Mariana Monteiro