Diretor do BNDES nega tráfico de influência
03/09/2008 - 17:08
Durante depoimento no Conselho de Ética, o diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) Élvio Lima de Gaspar afirmou que os integrantes do Conselho de Administração do órgão são representantes de empresários, trabalhadores e governo, e não têm interferência nas operações de crédito concedidas pelo banco.
Ele esclareceu que os conselheiros participam de reuniões semestrais nas quais tratam da prestação de contas e de estratégias. "Não há prestação de contas de operações individuais, muito menos voto ou apreciação pelo conselho de operações individuais. Os conselheiros olham o que está sendo feito, sem interferir no microdado", acrescentou.
Élvio Gaspar depõe como testemunha no processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Paulo Pereira é acusado de tráfico de influência no desvio verbas do BNDES. O parlamentar nega a participação no esquema.
Mais ética
O diretor revelou, porém, que, após a operação Santa Tereza, o banco discute uma eventual reformulação no Código de Ética para que este restrinja declaradamente as conversas fora do âmbito do conselho entre conselheiros e dirigentes ou superintendentes do banco. Hoje não existem proibições expressas sobre conversas entre conselheiros e dirigentes para tratar de operações individuais. "De fato, há pedidos para que se analise tal fato ou olhe tal assunto, mas não passa disso. Até porque não há como, individualmente, alguém decidir e o conselho aprovar", esclareceu.
"Quanto a um suposto bandido ter acesso ao banco, acho que foi bravata. Uma oferta sem entrega de mercadoria", afirmou Élvio Gaspar. Durante a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, algumas pessoas investigadas mencionavam a existência de contatos no BNDES que poderiam facilitar a aprovação de operações de empréstimos. Segundo o diretor, pode ser que alguém "vendesse isso". Élvio Gaspar disse que não sabe se tal fato aconteceu, mas, caso tenha ocorrido, não influenciava a ponto de inverter uma ordem ou diminuir qualquer tempo para uma operação do banco. Reportagem – Marise Lugullo
Edição - Maristela Sant`Ana
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