Auditoria do BNDES aprovou operações com prefeitura
03/09/2008 - 16:43
O diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Élvio Lima de Gaspar, afirmou há pouco que a instituição realizou auditoria interna para investigar as operações de empréstimos a favor da prefeitura de Praia Grande e das lojas Marisa e não identificou irregularidades. Existe a suspeita de que recursos desses projetos foram utilizados para financiar redes de prostituição.
Neste momento, Élvio Gaspar depõe no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, como testemunha no processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O parlamentar é acusado de tráfico de influência no desvio verbas do BNDES, mas nega a participação no esquema. O diretor do banco foi responsável pela aprovação de um dos contratos investigados pela Polícia Federal - com a prefeitura de Praia Grande - durante a Operação Santa Tereza. A polícia encontrou notas frias nas prestações de contas feitas pela prefeitura para justificar o uso do dinheiro emprestado pelo BNDES.
Auditoria
Segundo o diretor do BNDES, a auditoria concluiu por recomendar o aprimoramento de alguns procedimentos, principalmente quanto ao registro e guarda de documentos, de modo a tornar mais ágil a recuperação de informações. Entretanto, ele disse que as restrições e recomendações feitas não representam qualquer caracterização de benefício ou favorecimento aos proponentes desses financiamentos. "A análise dos relatórios elaborados pela auditoria interna não indica qualquer irregularidade no processamento das operações.", afirmou
Élvio Gaspar informou que as operações foram submetidas a todas as instâncias pertinentes e conduzidas em conformidade com as normas do BNDES. Acrescentou que os relatórios da auditoria interna foram aprovados pelo comitê de auditoria interna do banco em uma reunião extraordinária no dia 25 de junho deste ano.
Outras testemunhas
O relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), lamentou o não comparecimento de outras testemunhas convidadas para prestar depoimentos ao Conselho de Ética. Ele citou a esposa do deputado Paulo Pereira da Silva, Elza Pereira da Silva, que alegou problemas de saúde - Elza é presidente da OnG Meu Guri, que recebeu doação do próprio BNDES; o empresário Marcos Montovani, dono da Progus Consultoria - que forneceria notas frias para a quadrilha - também informou estar com problemas de saúde; Jamil Issa Filho, secretário de obras da prefeitura de Praia Grande, alegou ter outros compromissos agendados; o advogado e ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto, preso pela PF durante a Operação Santa Tereza, está no exterior; e o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, em campanha.
Reportagem - Marise Lugullo
Edição - Maristela Sant`Ana
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