Campana nega que equipamentos da Abin façam escutas

03/09/2008 - 17:32  

O diretor-geral adjunto afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José Nilton Campana, afirmou que os equipamentos adquiridos em conjunto com o Exército não fazem escutas telefônicas. "São apenas para a varredura eletrônica de ambientes, para verificar se há grampos", disse Campana em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas.

Segundo informações veiculadas pela mídia, a divulgação da compra desses equipamentos, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi fundamental para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinar o afastamento de toda cúpula da Abin.

Jogos Panamericanos
Campana confirmou que os equipamentos foram comprados em parceria com as Forças Armadas, em 2006, para serem utilizados inicialmente durante os Jogos Panamericanos 2007, no Rio, com a única finalidade de fazer varreduras. "A Abin precisa de equipamentos confiáveis para proteção e segurança de autoridades. Se, ao invés da defesa, a Abin partisse para o ataque, não seria esse o equipamento adquirido", ressaltou Campana.

O diretor-geral afastado disse que esse equipamento está passando por análise de uma comissão e, extra-oficialmente, já percebeu que não pode ser utilizado para escutas ambientais a mais de 100 metros de distância. Campana entregou à comissão um documento com todas as especificações técnicas do equipamento.

O diretor do centro de pesquisa da Abin, Otávio Carlos Silva, foi chamado à mesa da CPI para apresentar dados técnicos do equipamento. "Vamos aguardar o resultado do laudo da comissão de análise, mas já sabemos que o equipamento não pode ser usado para fazer grampos", disse Otávio.

O depoimento à CPI continua no plenário 11.

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Newton Araújo Jr.

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