Fontana diz que Daniel Dantas pode ter grampeado o STF
02/09/2008 - 15:40
O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que não descarta a hipótese de que o banqueiro Daniel Dantas esteja por trás da escuta telefônica clandestina que atingiu o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Como ele tentou subornar o delegado da Polícia Federal, acho que pode ser capaz de tudo. Não estou dizendo que foi ele, mas defendo uma investigação séria", afirmou o deputado.
Fontana disse também que os grampos podem partir de pessoas interessadas em desestabilizar o trabalho da PF. Ele criticou a oposição por tentar responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio. "O presidente Lula tem comprovado que é comprometido com o estado de Direito. Jamais o governo apoiaria ações dessa natureza. O governo defende que se investigue esse grampo, mas sou totalmente contra a idéia do PSDB de criar uma CPI exclusivamente para esse episódio do STF", destacou.
Ilegalidade fortuita
Para o líder do governo, o que a oposição pretende é fazer uma luta político-partidária em cima de um "incidente, uma ilegalidade fortuita". Fontana entende que o Brasil tem instituições para investigar esse grampo e que uma CPI específica para esse caso não seria necessária.
O parlamentar também defende serenidade na condução das investigações. "Acusar toda a estrutura da Abin, por conta de um erro que pode ter partido de algumas pessoas da agência, seria errado", afirmou. Fontana destacou que as escutas telefônicas legais são um importante instrumento para a investigação policial. "Temos que ter cuidado para não desgastar uma ferramenta poderosa contra o crime. O governo tem projeto que aperfeiçoa as regras para as escutas telefônicas com autorização judicial", lembrou o deputado, referindo-se ao Projeto de Lei 3272/08.
Defesa do empresário
O advogado do empresário Daniel Dantas, Nélio Machado, considerou as declarações feitas pelo líder do governo "inteiramente impróprias, improcedentes e absurdas". "O fato de ser parlamentar não permite a ele fazer especulações. Independente da imunidade, a defesa do empresário Daniel Dantas vai interpelá-lo", afirmou o advogado.
Machado ressaltou a interferência do Poder Executivo no Judiciário, com a realização do grampo. "Observa-se que a agência volta aos tempos do extinto SNI, mas de forma pior, já que a tecnologia moderna permite malefícios maiores do ponto de vista da espionagem."
O advogado também questionou a proximidade temporal da declaração de que Daniel Dantas poderia ser o responsável pelo grampo ao presidente do STF com a decisão do Supremo de libertar o empresário. "A quem interessava a desmoralização do ministro do STF?", questionou, considerando a declaração "uma manobra".
*Matéria atualizada às 20h05.
Notícias anteriores:
Chinaglia quer aperfeiçoamento da lei sobre escutas
Projeto disciplina uso e divulgação de escuta telefônica
Reportagem - Alexandre Pôrto
Edição - Newton Araújo Jr.
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
SR