Ex-conselheiro da Sete Brasil volta a defender a atuação da empresa
16/06/2015 - 15:21
O ex-presidente do Conselho Administrativo da Sete Brasil Newton Carneiro da Cunha disse à CPI da Petrobras que existem interesses de empresas internacionais no insucesso do projeto de construção de sondas de perfuração para exploração do petróleo em águas profundas no Brasil.
Ele disse isso ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). “Com certeza. Se não tivéssemos hoje esse projeto o Brasil estaria negociando a compra de sondas no Japão, Cingapura e Noruega."
Cunha voltou a dizer que a Sete Brasil é vítima das irregularidades cometidas nos contratos entre a empresa e a Petrobras que, segundo o ex-gerente da área de Serviços da estatal Pedro Barusco, envolveu o pagamento de propina.
Cunha é ex-funcionário da Petrobras e acumulou, junto com a presidência do Conselho da Sete Brasil, o cargo de diretor do fundo de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras, um dos financiadores da Sete Brasil.
O dirigente disse que conheceu Pedro Barusco em reuniões do conselho da Sete Brasil e admitiu também ter conhecido o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. “Eu o conheci na militância sindical, eu no Sindicato dos Petroleiros e ele no dos Bancários, mas nunca conversei com ele sobre a Sete Brasil”, disse.
Segundo Barusco, estaleiros contratados pela Sete Brasil também pagaram propina a Vaccari, que nega.
A Setebrasil assinou com a Petrobras 28 contratos de construção de sondas de perfuração. Para isso, subcontratou estaleiros. Os contratos de operação entre a Setebrasil e a Petrobras eram de US$ 500 mil por dia de operação para as primeiras sete sondas e de US$ 530 mil para as outras 21. O total é de US$ 22 bilhões.
Divisão da propina
De acordo com Barusco, havia um acordo de pagamento de propina de 1% para os contratos entre a Sete Brasil e os estaleiros – percentual reduzido depois para 0,9%. Essa combinação foi feita entre Barusco, João Vaccari Neto e os estaleiros.
Ele disse que a propina era distribuída da seguinte maneira: 2/3 para Vaccari e 1/3 para a “Casa” – ou seja, para os diretores da Sete Brasil: Barusco, João Carlos de Medeiros Ferraz (ex-presidente da Setebrasil) e Eduardo Musa (ex-diretor de Participações).
Ele disse ainda que a propina destinada a Vaccari tinha origem nos contratos firmados entre a Sete Brasil e os estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio Grande e Kepel Fels. Já a propina destinada à “Casa” tinha origem nos contratos firmados entre a Sete Brasil e os estaleiros Kepel Fels e Jurong.
Atualmente, de acordo com Cunha, a Sete Brasil negocia um financiamento de 4 bilhões de dólares com os bancos do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander para retomar os pagamentos aos estaleiros, suspensos no ano passado.
A reunião da CPI já foi encerrada.
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi