Política e Administração Pública

CPI da Petrobras já está reunida para ouvir executivos da Sete Brasil

16/06/2015 - 10:06   •   Atualizado em 16/06/2015 - 11:01

Começou há pouco a reunião da CPI da Petrobras convocada para ouvir os depoimentos de dois executivos ligados à empresa Sete Brasil, uma das investigadas pela Operação Lava Jato. Serão ouvidos o atual presidente do Conselho Administrativo da empresa, Newton Carneiro da Cunha, e o ex-presidente João Carlos de Medeiros Ferraz.

Neste momento, está sendo lida a ata da reunião anterior, a pedido do PT.

Ferraz, que será o primeiro a depor, comparece à CPI amparado por um habeas corpus que dá a ele o direito de permanecer em silêncio. Ele foi acusado de receber propina pelo ex-gerente da área de Serviços da Petrobras Pedro Barusco.

Segundo Barusco, os estaleiros contratados pela Sete Brasil para construir as sondas (ao custo unitário de 800 milhões de dólares) pagaram propina de 1% sobre os contratos, dividida da seguinte maneira: 2/3 para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, e o restante para ele, Barusco, Ferraz e Eduardo Musa (então diretor de Participações).

A Sete Brasil é uma empresa privada, criada por iniciativa da própria Petrobras em 2011 para construir sondas de perfuração. O objetivo na época era reunir acionistas, como bancos e a própria Petrobras, para viabilizar financeiramente o projeto de adicionar conteúdo nacional aos equipamentos, até então comprados no exterior.

O deputado André Moura (PSC-SE), sub-relator da CPI encarregado de investigar irregularidades na operação da Sete Brasil e na venda de ativos da Petrobras na África, suspeita que a empresa tenha sido criada para dificultar fiscalização do Tribunal de Contas da União a respeito dos recursos públicos envolvidos na operação.

Auditoria interna
Em depoimento à CPI da Petrobras, o atual presidente da Sete Brasil, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, disse que uma auditoria interna feita nos contratos com os estaleiros que constroem as 28 sondas de perfuração encomendadas pela Petrobras não detectou irregularidades. “Se houve (pagamento de propina), isso ocorreu fora da empresa e não dentro dos contratos”, disse.

Luiz Eduardo Guimarães Carneiro e Newton Carneiro da Cunha, o segundo depoente de hoje, não são acusados de participação em irregularidades.

A Sete Brasil enfrenta dificuldades financeiras depois da Operação Lava Jato e depende de financiamentos para concluir a construção de 17 das 28 sondas de perfuração contratadas pela Petrobras, um investimento de mais de 20 bilhões de dólares e que envolve 150 mil empregos diretos.

A empresa parou de pagar os estaleiros contratados por ela em novembro, depois que o BNDES não liberou o empréstimo de 18 bilhões de dólares – financiamento que tinha sido aprovado pela diretoria do banco quando a empresa foi criada.

A audiência ocorre no plenário 12.

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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein

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