Rejeição da Emenda Dante de Oliveira transformou o Brasil, diz Leitão
Durante sessão solene, deputados lembram que a emenda de Dante virou um marco da luta de redemocratização no País.
25/04/2013 - 12:10

O autor da homenagem à Emenda Dante de Oliveira, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), afirmou que o 25 de abril, data da rejeição da emenda das Diretas Já pela Câmara, deveria ser lembrada com um ato de transformação do País.
“Essa emenda, que não teve o sucesso da aprovação, extrapolou as paredes do Congresso e contagiou cada brasileiro. Quem viveu aquele momento se orgulha muito de ter participado nesse instante que mudou o País”, disse.
Leitão, que é líder da Minoria, contou a história de um ex-delegado que, à época da ditadura foi designado para vigiar Dante. Ao escutar o discurso do ex-parlamentar, o policial desistiu de seguir as ordens superiores e não denunciou Dante. “O delegado disse que não levou a gravação para frente porque Dante falou tudo o que ele acreditava e agiu não como delegado, mas como brasileiro.”
Segundo o deputado, atualmente o Brasil está se distanciando a cada dia da democracia defendida por Dante de Oliveira. “É preciso que essa democracia alcance necessariamente cada rincão, assunto e tema que o Brasil não está querendo debater”, afirmou.
Para o deputado Wellington Fagundes (PR-MT), a emenda das Diretas Já se tornou um marco pela luta de redemocratização no país. “A trajetória de Dante deverá ser lembrada sempre quando alguém falar em democracia e honestidade à vida pública”, defendeu o parlamentar.
Dante de Oliveira
Dante Martins de Oliveira (1952-2006) começou sua carreira política no MR–8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro), quando o grupo já havia optado pela via política ao invés da luta armada contra a ditadura militar. Depois, foi filiado ao PMDB e eleito deputado estadual em 1978. Em 1982, elegeu-se deputado federal. Dante também exerceu os cargos de prefeito de Cuiabá e governador de Mato Grosso.
Na época em que apresentou a emenda pelas eleições diretas, ele argumentou que a legitimidade do mandato só é límpida se a autoridade for escolhida pela maioria do eleitorado. “Difere do que ocorre com outros candidatos, escolhidos em círculos fechados e inacessíveis à influência popular e às aspirações nacionais”, comparou, então.
Reportagem - Tiago Miranda
Edição – Natalia Doederlein