Agnelo nega influência da Delta no governo do DF e defende ex-funcionário
13/06/2012 - 23:33
O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), questionou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, sobre os interesses da empresa Delta Construções em nomear pessoas para órgãos da administração regional do DF e para o comando do Serviço de Limpeza Urbana (SLU).
A Delta é apontada pela Polícia Federal como um dos braços do esquema de corrupção do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Odair Cunha comentou a existência de uma possível lista com nomes de pessoas que deveriam ser nomeadas pelo governo para favorecer a Delta. Em resposta, Agnelo limitou-se a dizer que desconhece a existência de qualquer lista com esse objetivo.
O governador ainda usou a investigação da Polícia Federal para se defender. "Pode me dizer um só nome de pessoa que eu tenha nomeado a pedido do senhor Carlos Cachoeira? Um jornal chegou a publicar o seguinte trecho das escutas da Polícia Federal: 'os caras nomearam só inimigo da Delta. O que esse povo me ajudou até hoje? Ninguém nomeou nem um gari'."
Coleta de lixo
Agnelo lembrou que a Delta tem um único contrato com o governo do DF, para a coleta de lixo, e que esse contrato está sendo terminado por irregularidades na licitação feita antes de seu governo.
Ele apresentou uma série de medidas tomadas no fim do ano passado, como a fiscalização da pesagem do lixo, antes mesmo da divulgação das operações deflagradas pela Polícia Federal. Essas medidas teriam representado uma economia de mais de R$ 1 milhão aos cofres do DF. “Vinte e seis dias após tomar posse, determinei uma profunda auditoria em todos os contratos firmados por gestões anteriores”, disse ele, acrescentando que a auditoria teve início antes de qualquer operação da PF.
Os deputados Geraldo Magela (PT-DF) e Paulo Tadeu (PT-DF), que foram secretários do governo Agnelo, defenderam o governador e disseram que as acusações são frutos de uma disputa política. Tadeu foi relator de uma CPI na Câmara Legislativa do DF que investigou os dados da Caixa de Pandora, que culminou com a prisão do ex-governador José Roberto Arruda (então filiado ao DEM).
Tadeu disse que os desvios no sistema de coleta e tratamento de lixo eram tão graves que foi preciso fazer uma investigação apenas sobre esses contratos. “O esquema criminoso que governava esta cidade desviou, apenas no sistema de limpeza e coleta de lixo, R$ 150 milhões”, disse.
O deputado Izalci (PR-DF), que faz oposição a Agnelo no DF, contestou as informações de que não havia doações da Delta para a campanha de Agnelo ao governo do Distrito Federal. Segundo ele, há doações da empresa ao diretório regional do PMDB, que correspondem a transferências feitas para a campanha de Agnelo.
Chefe de gabinete
Durante o depoimento na CPMI, Agnelo defendeu seu ex-chefe de gabinete, Cláudio Monteiro, acusado de envolvimento com o esquema de corrupção.
Ele admitiu que Monteiro recebera representantes da Delta em reunião no Palácio do Buriti, sede do governo do DF. No entanto, disse que Monteiro não estava autorizado a renegociar contratos com a empresa.
Conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal flagraram assessores diretos de Agnelo em suposta negociação de recebimento de propina para a manutenção do contrato com a Delta e para a nomeação de um aliado do esquema de Cachoeira para o comando do SLU. “Não existe interceptação telefônica que revele diálogo do Cláudio Monteiro, são todos diálogos de terceiros”, disse Agnelo. Ele acrescentou que Monteiro não estava autorizado a renegociar contratos com a empresa e que “não houve nenhuma ação dele que não fosse republicana”.
Segundo o governador, a decisão de pedir afastamento partiu do próprio chefe de gabinete. “Foi uma decisão dele, que também abriu mão de fórum privilegiado e colocou seus sigilos à disposição”, disse Agnelo.
O relator da CPMI lembrou dados da Polícia Federal dando conta de que a Delta vencia as licitações “mergulhando” os preços, para depois valer-se de influência em setores do governo para “afrouxar” a fiscalização dos serviços de coleta de lixo prestados pela empresa.
Bilhetagem eletrônica
O governador esclareceu também denúncias sobre possíveis favorecimentos na licitação para o serviço de bilhetagem eletrônica do DF, que envolve um contrato de R$ 60 milhões. “Existe uma investigação em curso na Polícia Civil do Distrito Federal e nós vamos fundo”, disse Agnelo, destacando que um servidor já foi afastado.
Reportagem - Marcello Larcher e Murilo Souza
Edição – Regina Céli Assumpção