Cachoeira não responde questionamentos dos parlamentares na CPMI
22/05/2012 - 19:32

O contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, não respondeu às perguntas feitas, nesta terça-feira, pelos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar suas relações com agentes públicos e privados.
A expectativa dos deputados e senadores é a de que o contraventor compareça novamente à CPMI para responder às perguntas depois do dia 1º de junho, quando terminam seus depoimentos na 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, onde tramita o processo motivado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Apesar de Cachoeira ter sinalizado nesse sentido, não houve um compromisso formal de que ele vai esclarecer as dúvidas dos parlamentares.
“Constitucionalmente, fui advertido pelos advogados para não dizer nada. E eu não falarei nada aqui. Somente depois da audiência que teremos com o juiz; depois, se acharem que posso contribuir, responderei a qualquer pergunta", afirmou Cachoeira na primeira fala na sessão. Depois, em uma das poucas vezes em que mudou o teor de suas declarações, Cachoeira afirmou ter “muito a dizer” à Justiça de Goiás.
Sem acordo
Para tentar dar mais eficácia à reunião, que durou cerca de 2h30, os parlamentares chegaram a sugerir que ela fosse transformada em secreta, o que não foi aceito. Outra sugestão foi de o contraventor aceitar o benefício da delação premiada por parte da Justiça, possiblidade negada ao final da reunião pelo advogado de Cachoeira e ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Diante do impasse, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) sugeriu terminar a reunião, para evitar que as perguntas servissem para orientar os advogados do contraventor em outras audiências. "Estamos fazendo um papel ridículo, diante deste cidadão que está nos manipulando. Estamos perguntando para uma múmia que não quer responder", disse a senadora.
Para o deputado Silvio Costa (PTB-PE), "o Cachoeira pautou a CPI" na reunião desta terça. "O competente advogado Márcio Thomaz Bastos vai pegar nossa perguntas e treinar o cliente. Vai todo mundo rir da gente. Para não continuarmos com este espetáculo ridículo, concordo com a senadora Kátia", afirmou o deputado.
Na mesma linha, o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), também criticou a postura de Cachoeira: "O que estamos fazendo aqui? Estamos permitindo um exercício e um treino ao depoente e aos seus advogados. Estamos antecipando algo que se daria com mais efetividade depois que ele falar à Justiça.”
‘Chefe de quadrilha’
Apesar da falta de esclarecimentos, o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), não invalidou a reunião e disse que a postura de Cachoeira era esperada. “Não se pode esperar que um chefe de quadrilha como ele venha a uma CPMI sem estar muito bem orientado. Temos outros meios de colher as evidências das ilicitudes”, disse.
Ele destacou ainda que as investigações da comissão não são totalmente vinculadas aos depoimentos, mas também à análise dos documentos que foram repassados pelo Supremo Tribunal Federal, pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República.
Novos depoimentos
Em relação aos próximos depoimentos, Odair Cunha se disse otimista de que eles possam ser “esclarecedores”. Foram confirmados para a quinta-feira (24) os depoimentos de três pessoas que integrariam a organização de Cachoeira: Wladimir Henrique Garcez, Idalberto Matias de Araújo e Jairo Martins de Souza.
Durante a reunião da CPMI, alguns parlamentares usaram o momento para tentar relacionar o contraventor a adversários políticos. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), por exemplo, quis saber sobre relações de Cachoeira com secretários do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Em seguida, cobrou informações sobre uma suposta relação de Cachoeira com o ex-ministro do Governo Lula José Dirceu (PT). Em nenhum caso obteve resposta do contraventor.
Por sua vez, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) questionou o contraventor sobre as suspeitas de ligação entre ele e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), também sem resposta.
Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Newton Araújo