Compra da casa de Agnelo foi alvo de vários questionamentos na CPMI
13/06/2012 - 22:44

A compra da casa do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), ocupou grande parte do depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o envolvimento de empresas, políticos e governos com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Deputados relembraram a compra da casa, em março de 2007, e relataram o possível favorecimento de empresas ligadas aos antigos proprietários: o advogado Glauco Alves e Santos e a mulher dele, Juliana Roriz Suaiden Alves e Santos.
Glauco é dono da importadora de medicamentos Saúde Import e Juliana é irmã de Jamil Elias Suaiden, dono de uma promotora de eventos, a F.J. Produções.
Na Anvisa
Informações publicadas na imprensa apontam suspeitas de que, durante o período em que Agnelo foi diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2007 e 2010, ele teria favorecido a F.J. Produções, que venceu um leilão de registro de preços para realizar 260 eventos.
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), disse que Agnelo assumiu a direção da Anvisa e assinou a liberação de funcionamento, beneficiando a importadora de Glauco.
Agnelo rebateu afirmando que só foi diretor da Anvisa em novembro de 2007. “A má-fé é tamanha que eu não poderia supor que iria virar diretor da Anvisa 10 meses depois de ter comprado a casa e favorecer uma empresa”, defendeu-se o governador. Segundo ele, foram concedidos cerca de 8 mil atestados de funcionamento durante sua gestão. “É um atestado simples”, afirmou.
A Anvisa concluiu, em sindicância, que Agnelo não teve responsabilidade administrativa pela autorização de funcionamento da importadora.
Oposição
Para o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), não ficou claro de que forma foi efetuado o pagamento da casa comprada em 2007 por Agnelo. “Gostaria de saber se o pagamento foi feito em cheque, em TED ou em dinheiro”, questionou.

Também na opinião do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), o governador não conseguiu explicar de forma clara a evolução do seu patrimônio. Em entrevista do lado de fora da sala da CPMI, Rodrigues disse ainda que o aspecto vago da maioria dos depoimentos dados à CPMI o leva a acreditar que “o forte serão os sigilos”.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) indagou ao governador se ele disponibilizaria as cópias dos cheques ou do documento de transferência bancária usados na compra da casa do governador. Agnelo respondeu que os cheques viriam junto com os dados da quebra do sigilo bancário. Macris questionou o fato de que Jamil Elias Suaiden, que era coproprietário da casa, é também dono da F.J. Produções, empresa que teria vencido leilão de registro de preços para realizar 260 eventos na época em que Agnelo foi diretor da Anvisa.
O deputado ainda citou a evolução do faturamento da empresa a partir de 2007, ano da compra da casa. “O que estranho é o aumento do faturamento da F.J. Produções, que passou de um total de R$ 61,9 mil em 2006 para R$ 4,8 milhões em 2007; R$ 19,1 milhões em 2008; R$ 50,9 milhões em 2009; R$ 103,2 milhões em 2010; e R$ 71,3 milhões em 2011”, disse Macris.
Agnelo Queiroz rebateu dizendo que essa insinuação faz parte da “cota de maldade absurda”. De acordo com o governador, nenhum diretor-geral da Anvisa tem responsabilidade sobre a parte administrativa da agência. “Nunca tratei na Anvisa sobre contrato de empresas, de pregão”, disse.
O governador garantiu que ele e sua mulher, com mais de 30 anos de medicina, têm renda compatível com o patrimônio declarado à Receita Federal e suficiente, inclusive, para a compra do imóvel de luxo da família.
Agnelo Queiroz entregou uma série de documentos à CPMI e, espontaneamente, abriu mão de seus sigilos. "Sei que não é usual uma testemunha fazer o que vou propor agora, mas não posso conviver com desconfiança sobre minha biografia. Por isso, quero aproveitar essa ocasião para colocar à disposição da CPMI os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico [aplausos e protestos]. Quem não deve não teme".
Os governistas aplaudiram a decisão. O líder do PT, deputado Jilmar Tatto, sintetizou os elogios ao desempenho de Agnelo Queiroz. "Parabéns pela sua atuação hoje; sem pirotecnia, sem malabarismo, sem teatro, mas, como um homem público, veio aqui prestar os esclarecimentos necessários para esta CPMI".
Na terça-feira (12), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), também teve de explicar à CPMI a venda de sua casa, onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal.
(*) Matéria atualizada às 15h37 de 14/6
Reportagem - Marcello Larcher e Murilo Souza
Edição – Regina Céli Assumpção