Associação diz que SC ainda tem desabrigados da enchente de 2008
18/11/2010 - 11:37
A integrante da Associação dos Desabrigados e Atingidos da Região dos Baús-SC (Adarb) Tatiana Reichert disse que, dois anos após as enchentes e deslizamentos que atingiram a região do Morro do Baú, em Santa Catarina, ainda há desabrigados. “Pessoas ainda esperam nova casa, mas o governo manda voltarem para a área de risco, contrariando laudos que mostram que os locais são inabitáveis”, afirmou, no seminário da Comissão de Direitos Humanos e Minorias sobre desastres socioambientais.
Segundo Tatiana, há até escolas em áreas de risco. “Vamos primeiro esperar o morro desmoronar, matar famílias e depois reclamar?” questionou. Ela disse que a informação dada à Adarb foi a de que o Ministério da Integração teria liberado dinheiro para a construção de novas habitações, mas os recursos nunca chegaram. “Além disso, casas doadas pela Arábia Saudita não foram para o complexo do Baú, mas para o centro da cidade. Vamos resolver o problema de habitação do município, mas não o dos atingidos pelo desastre.”
Pernambuco
Quesia Gouveia de Andrade, uma das vítimas da enchente que atingiu a região da Mata Sul, em Pernambuco, há cinco meses, disse que a Defesa Civil de Pernambuco sabia da enchente dois dias antes de ela chegar à cidade de Barreiros, mas o alerta à população local não foi dado. “A indignação da população por esse alerta não ter sido dado é muito grande”, afirmou. “O primeiro socorro veiu de Ongs e de igrejas. Onde estava o governo nesse momento?” questionou.
Ela afirmou que o auxílio-moradia dado pelo governo do estado posteriormente foi de R$ 150 por seis meses, mas ela não teve acesso aos recursos por sua casa não ter sido derrubada, mas apenas danificada pela enchente. “É necessária uma política de prevenção. O fenômeno pode acontecer a qualquer momento novamente”, completou.
Alexsandra Bezerra da Silva, também moradora da região da Mata Sul, destacou a necessidade de uma política de habitação para a área. “Vemos nas notícias que recursos estão sendo enviados à região, mas nunca vemos onde esses recursos estão sendo aplicados. Até hoje nenhum município fez prestação de contas à população sobre a aplicação dos recursos”.
Reportagem – Lara Haje
Edição – Wilson Silveira