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Deputados defendem aprovação do piso salarial para profissionais da enfermagem

14/01/2022 - 20h00

  • Deputados defendem aprovação do piso salarial para profissionais da enfermagem

  • Deputados defendem aprovação do piso salarial para profissionais da enfermagem
  • Comissão aprova internet gratuita para cidadãos em repartições públicas
  • Avança na Câmara projeto que prevê cota para contratos de terceirização

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara aprovou projeto que destina, no mínimo, 30% das vagas de terceirização nos contratos da administração pública para pessoas negras, pardas e indígenas. O repórter Luiz Cláudio Canuto traz mais informações sobre a proposta.

Segundo o IBGE, os negros eram a maior parte da população desempregada em 2020, 46%, e recebiam os menores salários. Já segundo o Diesse, Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, no segundo trimestre de 2021 a taxa de subutilização da força de trabalho no Brasil era de 40,9% entre as mulheres negras e de 27,7% entre as mulheres não negras. Para os homens negros, a taxa de subutilização da força de trabalho era de 26,9%, e para os não negros, de 18,5%.

Segundo o levantamento, as mulheres não negras recebiam um salário 65% maior do que as negras e homens não são negros recebiam 76% a mais do que os negros. O relator da proposta, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) teve seu parecer lido na comissão pela deputada Vivi Reis (Psol-PA). A proposta originalmente beneficiava somente a população negra, mas uma emenda de redação acrescentou os pardos e os indígenas.

Vivi Reis: Quanto ao mérito, não há como deixar de observar que se trata de um projeto oportuno, dada a lamentável conjuntura atravessada pelo país. Neste contexto, proposições como a que ora se relata tornam-se absolutamente cruciais para permitir que o edital exija que o contratado destine o percentual mínimo de mão de obra responsável pela execução do objeto de contratação a pessoas pretas, pardas e indígenas e torna cláusula necessária dos contatados de serviços de execução de terceiros o compromisso de promoção de igualdade racial pela contratada.

A proposta (PL 2067/21) muda a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, (Lei nº 14133, de 2021) de 2021. O projeto, da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e de parte da bancada do partido, aguarda escolha do relator na Comissão de Finanças e Tributação. Ele tramita em caráter conclusivo e se for aprovado também pela Comissão de Constituição e Justiça, segue direto para o Senado Federal.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto

Trabalho

Pompeo de Mattos (PDT-RS) defende a aprovação do projeto que cria o piso salarial para profissionais da enfermagem. Ele ressalta que a proposta já passou pelo Senado e que agora é a vez de os deputados reconhecerem a importância da categoria.

Pompeo de Mattos lembra o papel fundamental desempenhado por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem no combate à pandemia. Segundo ele, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre um salário digno para a categoria e a saúde financeira de estados, municípios e hospitais.

Pompeo de Mattos: Quem nos defendeu foram os nossos anjos de branco, os nossos enfermeiros e enfermeiras, que expuseram a vida deles para salvar a nossa. Seiscentas e tantas mil pessoas não voltaram aqui para falar. E muitos enfermeiros e enfermeiras morreram também, exatamente lutando em favor da sociedade, do cidadão, da população, dos pacientes. Por isso, nós temos que valorizar esses profissionais, dando-lhes um salário digno, dando-lhes condições de trabalho. Então, colocando um piso para o auxiliar de enfermagem, um piso para técnico em enfermagem e um piso para o enfermeiro ou a enfermeira de nível superior. Algo razoável, decente. Nós temos que também cuidar de quem cuida de nós.

Mauro Nazif (PSB-RO) também apoia o projeto que estabelece o piso salarial para profissionais da enfermagem. Ele lembra que a proposta, já aprovada no Senado, inclui enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras. O deputado foi escolhido relator da matéria, na Comissão de Trabalho da Câmara.

Mauro Nazif explica que o projeto prevê um piso de 4.750 reais para enfermeiros, enquanto que técnicos terão direito a receber, no mínimo, 70% deste valor, e auxiliares e parteiras, 50%. Ele destaca o importante papel dos profissionais durante a pandemia e afirma que é hora de o poder público retribuir todo empenho e dedicação.

Mauro Nazif: E uma dessas retribuições é o piso salarial. Estabelecer um piso mínimo, para que a categoria possa ter um salário digno, onde os profissionais não terão que ter dois ou três empregos para melhorar a sua renda familiar, a sua renda no final do dia. Sabemos que 80% da categoria é composta por mulheres, e além desses afazeres como profissionais da enfermagem, ainda chegam em casa, têm a sua terceira, quarta jornada de trabalho. Recebendo as emendas, apresento o relatório de imediato, e vamos lutar para que seja aprovado o piso salarial da enfermagem.

Economia

Herculano Passos (MDB-SP) defende a aprovação de projeto que permite o funcionamento de cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalo no Brasil. Ele destaca o aspecto econômico da proposta, lembrando que grande parte da arrecadação iria para estados e municípios.

Além disso, Herculano Passos ressalta que a legalização dos jogos de azar vai gerar mais emprego e renda para a população e fomentar a indústria do turismo. Ele explica o modelo que, se aprovado, será implantado no Brasil.

Herculano Passos: Nós vimos todas as modalidades de cassino e chegamos num texto importante e bem maduro, que são os cassinos em resorts integrados e os cassinos turísticos. Então, vai ter um cassino em cada estado - estados até 15 milhões de habitantes -, de 15 milhões a 25 milhões, dois cassinos, e acima de 25 milhões, que é o caso de São Paulo, poderá ter até três. E o dobro de cassinos turísticos nesses estados. Isso, com certeza, vai fomentar o turismo, vai desenvolver o nosso país e vai trazer divisas para o nosso país. E vai dar muito emprego, que é o mais importante. Muita gente que está desempregada vai ter a oportunidade de trabalho através da legalização dos cassinos.

Desenvolvimento Regional

General Girão (PSL-RN) elogia o trabalho da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido, criada em 2019, com o objetivo de promover o desenvolvimento da região. Ele lembra que, além dos nove estados do Nordeste, o semiárido brasileiro inclui parte do norte de Minas Gerais.

Segundo General Girão, os eventos da frente parlamentar apontam o grande potencial do semiárido como celeiro de produção de alimentos não só para o País, mas para todo o mundo. Ele também observa que os investimentos da gestão Bolsonaro na construção de ferrovias têm sido fundamentais para tirar a região do isolamento.

General Girão: Ao criarmos políticas públicas para que a Frente Parlamentar possa apresentar isso ao Executivo brasileiro e, com isso, nós termos o apoio chegando ao produtor, estaremos criando uma estrutura perfeita para que esta produção de alimentos possa chegar até onde a gente imagine que seja o destino final. Não tenho dúvida nenhuma de que a nossa capacidade de produção vai atingir locais que hoje as pessoas não conseguem produzir nada. Primeiro, pela falta d’água; segundo, pela falta de uma política de orientação. E, depois, por uma falta de logística de escoamento. Então, o governo federal está criando ferrovias para essa região, para que possa fazer esse escoamento acontecer.

Ao fazer um balanço de 2021, Angela Amin (PP-SC) afirma que Santa Catarina foi um dos estados que se recuperou mais rápido da pandemia. A deputada avalia que o trabalho da bancada federal em conjunto com o governo foi essencial para que o estado pudesse retomar a normalidade.

Angela Amin: Um estado que reagiu bastante positivo nesse momento de pandemia, principalmente na área da economia, e que tem que ter, através do governo federal, o apoio necessário para melhorar ainda mais o seu trabalho e automaticamente o resultado na sua economia, o resultado na qualidade de vida e na oportunidade de emprego. O trabalho foi tão intenso que foi o estado do Brasil que mais recursos federais foram aprovados para as rodovias federais em Santa Catarina. É uma vitória do estado, das lideranças e, principalmente, do cidadão catarinense e daqueles que produzem.

Como coordenadora da bancada catarinense, em 2021, Angela Amin ressalta que sua prioridade foi garantir o repasse dos recursos da União às estradas federais que cortam o estado. A deputada garante que a bancada continuará unida, em 2022, para conseguir mais melhorias para Santa Catarina.

Ciência e Tecnologia

Avança na Câmara projeto que que torna obrigatória a internet grátis para os cidadãos que estejam sendo atendidos em órgãos públicos. A reportagem é de Silvério Rios.

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara aprovou projeto que torna obrigatória a oferta de internet gratuita aos cidadãos em atendimento nas repartições públicas. A norma deve valer para todas as esferas de governo: União, estados, Distrito Federal e municípios e também para empresas que prestem serviços públicos.

O texto aprovado na comissão prevê que a implantação do acesso gratuito à internet em repartições públicas deve ser bancada com recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust.

O relator da proposta na Comissão, deputado Ted Conti (PSB-ES), ressalta que 40 milhões de pessoas não têm como se conectar à internet no Brasil. E que garantir o acesso gratuito é essencial para que a população possa exercer seus direitos.

Ted Conti: Temos serviços hoje que exigem do cidadão cadastro na internet, mas não damos a eles os meios para que isso seja feito. O auxílio emergencial é um dos maiores exemplos disso. Milhões de brasileiros tiveram dificuldade de receber o benefício pelo simples fato de não conseguirem se conectar. Liberar esse acesso em organismos públicos é mais que uma medida social, é atender a um direito do cidadão.

O projeto que torna obrigatória a internet grátis para os cidadãos que estejam sendo atendidos em órgãos públicos ainda precisa ser analisado pelas comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça. Se aprovado nas três comissões da Câmara, deve seguir para o Senado.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvério Rios.

Saúde

Paulo Ramos (PDT-RJ) lamenta a morte de mais de 620 mil brasileiros por causa da covid-19 e condena a incompetência do governo federal para enfrentar a crise sanitária.

Paulo Ramos também critica o desempenho do governo federal em relação a diferentes aspectos socioeconômicos. Para o deputado, é inaceitável que uma potência como o Brasil apresente índices tão ruins.

Paulo Ramos: Paralelamente à pandemia do coronavírus, que ceifou tantas vidas, nós temos o desemprego, nós temos o arrocho salarial, temos o subemprego, temos a fome. São situações inaceitáveis para um país como o Brasil que, ao longo das últimas décadas, tem sido uma das 10 maiores economias do mundo. É preciso mudar esse modelo e contemplar os direitos do povo brasileiro através de uma melhor distribuição da renda. Vamos defender os serviços públicos, a educação, a saúde, tudo aquilo que deve ser feito para mudar essa situação.

Alan Rick (DEM-AC) relembra sua atuação no combate à covid-19 desde o início da pandemia. Segundo o parlamentar, seus esforços garantiram equipamentos importantes para a proteção e o tratamento da população do Acre.

Alan Rick acrescenta que trabalhou pela aprovação do auxílio emergencial e garantiu mais de 110 milhões de reais para a área da saúde, direcionados a hospitais e Unidades de Pronto Atendimento da capital e dos municípios do interior do Acre.

Alan Rick: Como representante do povo no Congresso Nacional eu redobrei o trabalho na busca de recursos para garantir o melhor tratamento aos acrianos vítimas de coronavírus. Foi assim que garanti emendas extraordinárias para a saúde do estado do Acre. Garantimos também o envio de 70 respiradores para unidades de saúde da capital e do interior, além de intermediar a entrega de mais 50 respiradores doados ao estado pelo Ministério Público do Trabalho. Consegui, ainda, a doação de 5 mil itens para combater o coronavírus no Acre através da nossa boa relação com o embaixador de Israel no Brasil, o, então, embaixador Yossi Shelley. Constam na doação máscaras descartáveis, luvas, máscaras de proteção facial e álcool em gel.

Célio Studart (PV-CE) celebra a lei, sancionada em outubro do ano passado, que proíbe o extermínio de cães e gatos saudáveis por órgãos públicos. Um dos autores da matéria, o parlamentar afirma que esta é a maior conquista dos últimos tempos para a defesa da vida dos animais domésticos.

Célio Studart alerta que a única exceção é para animais com doenças graves ou infectocontagiosas incuráveis, que coloquem em risco a saúde humana e de outros animais. Segundo o deputado, a nova lei representa o fim das “carrocinhas”, veículos, que, antigamente capturavam cães e gatos de rua para o abate.

Célio Studart: É a possibilidade de nós mostrarmos para a população que o tempo da carrocinha acabou, que animais que estão abandonados nas ruas merecem políticas públicas eficientes, que realmente possam minimizar esse número, essa superpopulação de animais, gatos e cachorros, nas ruas, e que eles não podem ser direcionados para centros de zoonoses para um abate, para uma eutanásia sem uma justificativa, sem a comprovação de exames que mostrem que havia uma zoonose de fato naquele animal. E isso, de fato, não era respeitado. E isso agora está proibido de forma definitiva no Brasil.

Transportes

André de Paula (PSD-PE) defende a aprovação do projeto de lei, de sua autoria, que aumenta de 5 para 10 anos o prazo de validade do curso especializado exigido de mototaxistas e motoboys. Ele afirma que a mudança pode trazer benefícios importantes para os profissionais.

De acordo com André de Paula, a proposta segue a linha de alterações recentes no Código de Trânsito Brasileiro, como a que elevou o prazo de validade da Carteira Nacional de Habilitação.

André de Paula: Acho que essa iniciativa, além de harmonizar a periodicidade do exame com as novas regras da carteira nacional de habilitação, corrige uma injustiça, simplifica o procedimento de periodicidade e facilita muito o dia a dia dos profissionais que fazem parte dessa importantíssima cadeia econômica presente em todas as cidades do país. Além, é claro, do impacto econômico que isso traz de muito positivo em relação a esses profissionais.

Desembarque noturno

A Comissão de Viação e Transportes aprovou proposta para que usuários de transporte público possam pedir a parada fora do ponto no período da noite. A reportagem é de Karla Alessandra.

A Câmara está analisando proposta (PL415/21) que inclui entre os direitos dos usuários de transporte coletivo urbano o desembarque fora dos pontos entre as oito da noite e as cinco da manhã.

A medida, que já foi aprovada na Comissão de Viação e Transportes, determina que idosos, mulheres e pessoas com dificuldade de locomoção podem solicitar ao motorista, dentro desse horário, que pare em qualquer lugar onde seja possível estacionar, respeitando o trajeto da linha.

A comissão incluiu esse direito entre os previstos na Política Nacional de Mobilidade Urbana (lei 12587/12). A autora da proposta, deputada Rejane Dias (PT-PI) destacou que mulheres, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção são mais vulneráveis, principalmente no período da noite.

Rejane Dias: Os casos de violência contra a mulher no horário em que elas saem do trabalho e voltam para casa, já tarde da noite, é grande. Então ela fica muito vulnerável a qualquer tipo de violência e o que é pior: violência sexual. A pessoa com deficiência também, que já são vulneráveis, imagina num horário já tarde da noite, a gente precisa também ter uma atenção redobrada para esses casos. Ver as pessoas idosas também que são muito vulneráveis.

Para a servidora pública, Adriana de Cássia Leitão, a possibilidade de parar em um local mais perto de casa representa sim maior segurança para mulheres, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

Adriana de Cássia Leitão: É interessante e necessário, até porque os pontos são muito longe um do outro, à noite é muito mais perigoso para a mulher. E no que diz respeito à pessoa com limitação, eu já presenciei caso de pedirem para o ônibus parar fora da parada, antes da parada e o motorista não concordou porque ele respeita uma regra que hoje é a da empresa. Então ia tornar muito mais humano o transporte público e muito mais atencioso para a pessoa com limitação, para o idoso e para essa questão mais frágil que é a da mulher.

O projeto que permite aos usuários de transporte público a parada fora dos pontos no período de oito da noite às cinco da manhã vai ser agora analisado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Karla Alessandra.

De segunda a sexta, das 19h às 20h. Mande sua sugestão pelo WhatsApp: (61) 99978.9080.