Partidos querem fortalecer gestão de programas sociais
28/09/2006 - 21:01
Representantes de quatro partidos com candidatos à Presidência da República debateram, na última terça-feira, propostas de políticas sociais e demonstraram um ponto de convergência: é preciso fortalecer a gestão dos programas assistenciais e ampliar a possibilidade de que seus beneficiários prosperem economicamente e socialmente, rompendo o ciclo da pobreza no País. O debate foi transmitido pelo programa Expressão Nacional, da TV Câmara.
Participaram do programa Ana Lúcia Lobato (integrante da equipe do candidato do PSDB), Elimar Nascimento (PDT), Jorge Luiz Martins (Psol) e Márcia Lopes (PT). Todos consideraram que há recursos para desenvolver uma política social eficiente, mas deixaram claro que há divergências em suas prioridades.
Os integrantes da oposição criticaram especialmente os gastos com o pagamento de juros das dívidas interna e externa, que supostamente inviabilizariam as políticas distributivas.
A representante do PT detalhou os "avanços" verificados nos últimos quatro anos; Nascimento defendeu uma "revolução pela educação"; Martins apoiou o "fim da subordinação das políticas sociais à política econômica"; e Lobato destacou a necessidade de foco na "inclusão social".
Política educacional
De acordo com Elimar Nascimento, a proposta do PDT busca amenizar a desigualdade social com foco em investimentos concentrados na educação, como instrumento para erradicar a pobreza. "O eixo central para o fim da pobreza é a educação", definiu.
Ele também citou uma "radical divergência" com o governo atual, embora admitisse que houve avanços na gestão dos programas e na ampliação do atendimento nos últimos quatro anos: "Há um erro de foco que é preciso deixar claro: temos 11 milhões de famílias recebendo dinheiro do Bolsa-Família; mas, se os filhos dessas famílias estão indo para escolas que não prestam, qual o futuro para elas? O numero de pessoas pobres vai aumentar, porque elas não conseguem sair desse ciclo", argumentou.
Redução da pobreza
De acordo com Ana Lúcia Lobato, as políticas implementadas durante a gestão do PSDB na Presidência da República e nos estados comandados pelo partido demonstrariam uma preocupação em reduzir a pobreza. "A prova disso foi a decisão do governo atual de consolidar a ampliar as políticas iniciadas no governo anterior", argumentou.
Para ela, o grande desafio é fortalecer a inclusão social. "O PSDB pretende adotar medidas que multipliquem as oportunidades, como a garantia de emprego, de capacitação profissional, de melhorias nas escolas. Queremos dar um passo adiante", resumiu.
Dívida social
O representante do Psol defendeu o pagamento da "dívida social do Brasil com sua população e os trabalhadores". De acordo com Jorge Luiz Martins, os programas sociais dos últimos governos foram subordinados "às opções feitas na macroeconomia". Ele considerou ser necessária uma "mudança profunda nos rumos da economia", que trocasse o superávit primário para pagamento de juros por investimentos nas áreas de saúde, educação e saneamento básico. Essa medida, prosseguiu, acabaria "com atual o quadro de degeneração do tecido social, no qual milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e poucos ganham lucros altíssimos".
Ampliação do sistema
Já a representante do PT registrou que objetivo é a ampliação do sistema de proteção social no Brasil. "Conhecemos as mazelas históricas do País; daremos continuidade aos programas e vamos ampliá-los, com a implementação do sistema nacional de segurança alimentar e nutricional", afirmou.
Márcia Lopes comparou os gastos sociais dos últimos anos (R$ 6 bilhões em 2002 e R$ 21,1 bilhões em 2006, segundo ela) e considerou que esses números provam o compromisso do atual governo com a redução da pobreza e o combate à fome. Ela salientou, ainda, que o princípio dos programas não é assistencialista, mas o de assumir o "dever do estado de prover as pessoas de suas necessidades básicas".
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Edição – João Pitella Junior
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