Debatedor quer CPI sobre repressão às rádios comunitárias

01/08/2005 - 17:08  

Ao participar de audiência que está sendo promovida pelo Conselho de Comunicação Social, o representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), Clementino dos Santos Lopes, defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a influência da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) na repressão às rádios comunitárias.
O debatedor explicou que as poucas emissoras que conseguiram outorga seguem o modelo de mercado da Abert e não um modelo centrado na função social, defendido pela Abraço, que leva em conta a gestão pública das emissoras e a existência de um conselho plural para definir a programação.
O representante da Abraço destacou, porém, que as emissoras comunitárias precisam ter receita, o que não significa que terão lucro. "Nós vivemos em uma sociedade capitalista e seria motivo de desconfiança se as emissoras comunitárias não tivessem apoio cultural. Como iriam comprar e manter equipamentos ou remunerar as pessoas?", questionou, ao comentar um vídeo em que a Abert critica a obtenção de apoio financeiro pelas rádios comunitárias.

Proselitismo político
Lopes também criticou o vídeo da Abert por conter a acusação de que as rádios comunitárias fazem proselitismo político. "Quem é a Abert para acusar alguém de proselitismo político? A Abert vive fazendo proselitismo político nos meios de comunicação", afirmou. Nesse momento, ele foi interrompido pelo representante da Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações (Abratel), Roberto Vagner Monteiro, pedindo que moderasse sua fala.
O dirigente da Abraço respondeu que já foi vítima de seis processos, que sua casa e seu escritório foram invadidos pela Polícia Federal e que a rádio na qual atua desde 1997 teve seu equipamento apreendido quatro vezes.

Concentração de propriedade
Ao criticar a concentração dos meios comunicação no Brasil, Lopes citou o município de Cachoeira do Sul (RS), em que todas as seis emissoras de rádio pertenceriam a apenas uma família. Ele disse que esse não é o modelo que deveria ser seguido no País.
O debatedor também se queixou da exclusão da Abraço do grupo de trabalho organizado pelo Ministério das Comunicações para discutir a radiodifusão comunitária. Ele disse que, apesar de a entidade ter sido excluída, a Abert permaneceu no grupo.

Reportagem - Sandra Crespo
Edição - Pierre Triboli

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