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Flexibilização de disciplinas no ensino médio divide debatedores

Em audiência, defensores da MP 746/16 argumentaram que currículo atual engessa o ensino; para os críticos, proposta não assegura qualidade da formação técnica

08/11/2016 - 20:25  

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Audiência Pública
A audiência foi a quarta realizada pela comissão mista para debater a MP sobre a reforma do ensino médio

Parlamentares, dirigentes de instituições privadas de ensino e especialistas divergiram nesta terça-feira (8) sobre a flexibilização do conteúdo ensinado nas salas de aula, um dos pontos da reforma do ensino médio (MP 746/16).

Após a conclusão do núcleo comum obrigatório, em no máximo 1200 horas, a proposta permite que as escolas ofereçam formação específica com ênfase em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

Na quarta audiência da comissão mista que analisa o tema, os defensores da flexibilização argumentaram que o currículo atual, com 13 disciplinas obrigatórias, engessa o ensino médio e desmotiva o aluno. Já para os críticos, a proposta não traz requisitos suficientes para assegurar a qualidade da formação técnica. 

Redução da evasão
Na visão do superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, a flexibilidade na agenda curricular aproxima a escola à realidade do aluno e reduz a evasão.

“A grande vantagem é que você certifica no ensino regular com a possibilidade de formar um técnico profissionalizante, o que pode funcionar como um motivador para o aluno”, disse.

No entanto, para ele, a falta de esclarecimento sobre a certificação do ensino técnico é um dos gargalos da reforma. “Há a possibilidade de abertura de cursos de qualidade questionável e quem vai aferir isso?”, questionou.

Segundo ele, isso enseja a discussão sobre o papel do Sistema S (Senai, Sesc, Sesi, Senat etc) e sua responsabilidade frente ao ensino médio regular. 

Conteúdo técnico 
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) criticou dispositivo do texto que autoriza profissionais com “notório saber” a dar aulas de conteúdos técnicos.

“Como um professor vai dar aula sobre aquilo em que não é formado, não fez uma especialização? Nós temos que investir em licenciaturas, mesmo em áreas técnicas para juntar o saber técnico com o saber pedagógico”, avaliou.

O reitor da Universidade Estácio de Sá, Ronaldo Mota, por sua vez, argumentou que uma das falhas do sistema atual é privilegiar o conteúdo em vez da metodologia.

Segundo ele, é possível melhorar o desempenho em matérias pouco atrativas, como matemática e física, se essas forem ensinadas dentro da disciplina escolhida pelo aluno. Pelo método inglês, por exemplo, o aluno aprende noções de física e química nas aulas de biologia, se essa for sua opção. 

Relatório 
Presidente do colegiado, o deputado Izalci (PSDB-DF) reafirmou que o relatório à MP deve ser votado até o final deste mês na comissão para que a reforma vigore a partir do ano que vem.

“Queremos aprovar ainda esse ano para que em 2017 estados e municípios possam regulamentar e definir a questão dos livros didáticos e da Base Nacional Comum Curricular", afirmou. 

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição - Rosalva Nunes

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