Política e Administração Pública

Parlamentares do governo e da oposição ressaltam papel de Ulysses para a democracia

06/10/2016 - 12:28  

Um dos relatores adjuntos da Assembleia Constituinte (1987-1988), deputado José Fogaça (PMDB-RS), apontou o Ulysses Guimarães como “o grande ator político por trás da Constituição brasileira”. Na sessão solene que a Câmara realiza para celebrar o centenário de nascimento de Ulysses, Fogaça destacou a coragem do político durante a ditadura militar, quando enfrentou o regime em defesa da volta da democracia.

“Ulysses Guimarães marcou um momento da vida brasileira porque foi timoneiro, foi condutor, porque soube nos liderar em mares tempestuosos”, disse.

Ele lembrou que Ulysses traçou como meta pessoal a eleição para a presidência da República, e do mesmo modo que o jurista Rui Barbosa e o brigadeiro Eduardo Gomes, não chegou ao seu objetivo. Esta situação, segundo Fogaça, não diminui o papel dele para a história do País. “A presidência da República é acaso, é destino, não é meta, não é objetivo. Mas não é a presidência da República que faz do homem o que ele é, o que ele significa”.

Já o líder do PCdoB, Daniel Almeida (BA), lembrou que, sob a liderança de Ulysses, políticos comunistas se abrigaram no MDB para lutar pela redemocratização do País. “Ele foi intransigente na defesa na democracia. Por isso o papel insubstituível do Senhor Diretas”, afirmou Almeida, referindo-se à forma como Ulysses ficou conhecido pela sua atuação no movimento Diretas Já (1983-1984).

Daniel Almeida disse ainda que o homenageado faz falta na atualidade, quando existe uma tentativa de diminuir o papel da política.

Adesismo
Último orador inscrito na sessão solene que homenageou Ulysses Guimarães o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que o político alcançou um lugar na vida nacional: relevância histórica pelas causas que abraçou. Isso aconteceu porque o político paulista não fez algo comum na política brasileira, que é o adesismo ao sistema que se pretende combater.  Ele referiu-se ao apoio que Ulysses Guimarães deu inicialmente aos militares que se instalaram no poder em 1964, posição depois substituída por crítica e combate ao regime.  

“Suas convicções liberais eram fortes o suficiente para não ceder ao lugar fácil de apoio ao regime”, disse Alencar. “Ele tratou de resistir, e na rua. Combinando o institucional com a mobilização nas ruas.”

Pouco antes, o 1º vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PMDB-MA), disse que o homenageado foi exemplo de líder. “Ele foi a certeza, a confiança e, mais do que isso, o baluarte da democracia. Ele está sempre vivo nas nossas consciências”, afirmou.

A sessão solene foi encerrada.

Reportagem - Janary Júnior
Edição - Rachel Librelon

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