Política e Administração Pública

Meirelles confirma que suas empresas eram usadas para operar pagamento de propinas

07/04/2016 - 11:52  

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O proprietário do Laboratório Labogen, Leonardo Meirelles, confirmou há pouco ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados que três de suas empresas eram usadas para pagamentos de propina operados pelo doleiro Alberto Youssef.

“Ele usava minhas empresas no Brasil e no exterior tanto para receber quanto para pagar [propina]. E, por conta disso, eu passei a freqüentar o escritório dele quase diariamente”, disse Meirelles, acrescentando que Alberto Youssef não costumava comentar a quem eram destinadas as transferências dos recursos.

Meirelles esclareceu que suas empresas eram utilizadas para simular operações de importação fictícias, com posterior remessa de recursos para o exterior. “Inclusive, sobre o assunto que estamos tratando aqui hoje, Alberto Youssef me chamou no escritório dele, informando que teria uma remessa maior, cerca de U$ 5 milhões, e haveria a necessidade de fazer um contrato de uma empresa no exterior com a minha, a RFY importadora e exportadora LTda”, disse Meirelles, em referência a suposta transferência de recursos ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Segundo ele, o contrato entre as empresas foi firmado em maio de 2012 e as transferências ocorreram em junho, outubro e novembro do mesmo ano.

“Apenas quando ele me comunicou, eu tive conhecimento que a empresa era de propriedade do senhor Júlio Camargo, porque, como eu disse, o senhor Alberto Youssef, não comentava o nome dos destinatários”, informou ao colegiado.

Segundo Meirelles, no dia de 8 de junho de 2012 foi feita a primeira remessa de US$ 2.349.982,74 para a conta da RFY, com sede em Hong Kong.

A suposta relação das transferências com Eduardo Cunha, segundo Meirelles, foi percebida por ele somente após as delações premiadas do próprio Alberto Youssef e de Júlio Camargo, suposto operador do pagamento de propinas ao PMDB por contratos firmados pela Petrobras.

“Uma semana após [a primeira transferência], almoçando com o Alberto, eu vi o Júlio [Camargo] saindo do escritório do Alberto, fomos almoçar e ele comentou informalmente: 'você nem sabe a pressão que eu estava sofrendo, graças a Deus eu consegui concretizar aquela transferência grande'", disse Meirelles, acrescentado que, nesta oportunidade, ouviu de Yousseff que a transferência seria para o Rio de Janeiro e teria como destinatário Eduardo Cunha. Meirelles ainda ressaltou que não era operador dos pagamentos e que nunca esteve com Cunha.

A testemunha também comentou que a partir das delações premiadas foi buscar informações nos extratos de suas empresas para confirmar as suspeitas.

“Após as delações, eu fui buscar as informações no meus extratos. E tenho certificados bancários de minhas empresas em Hong Kong atestando as operações”, finalizou Meirelles, reforçando que os documentos já fazem parte do termo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal.

A reunião está sendo realizada no plenário 11.

Mais informações a seguir.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Mônica Thaty

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