Depoente explica envolvimento da Camargo Corrêa na corrupção da Petrobras
26/05/2015 - 11:20

O executivo Eduardo Hermelino Leite, ex-vice-presidente da construtora Camargo Côrrea, descreveu à CPI da Petrobras como ele foi “capturado” no esquema de corrupção da estatal pelo doleiro Alberto Youssef.
Segundo ele, a Camargo Corrêa, por indicação de Youssef, contratou uma empresa para fornecimento de tubos para a construção da refinaria Abreu e Lima (Renest), em Pernambuco, inicialmente com o objetivo de usar o contrato para efetuar o pagamento de propina.
A empresa era a Sanko, que fornecia tubos a preços abaixo dos praticados no mercado o suficiente para que o dinheiro da propina fosse embutido nessas compras.
“Como ela fornecia tubos importados a preços baixos, o Youssef teve então a ideia a fazer com que a Sanko fornecesse esse material para o mercado interno”, explicou Leite. O executivo disse que, para viabilizar isso, a Sanko pagou R$ 1,5 mihão a ele. “A partir daí ele me capturou”, disse.
Cartel
Segundo o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, houve formação de cartel das empresas na construção dos 12 pacotes de obras da refinaria Abreu e Lima (Rnest). Os contratos foram fechados com preços perto do máximo. Ele explicou que apenas o pacote de obras para a Unidade de Hidrotratamento foi fechado em R$ 3,19 bilhões. A proposta foi do consórcio Conest, composto pela Odebrecht e OAS.
O Ministério Público e a Polícia Federal acusam o Consórcio CNCC (formado pela Camargo Corrêa e pela CNEC, empresa do grupo Camargo Corrêa) de pagar R$ 25 milhões em propina ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, com dinheiro oriundo de crime de fraude à licitação.
Segundo a denúncia, o dinheiro de propina seguia do consórcio para empresas fornecedoras de tubos, a Sanko Sider e a Sanko Serviços, como se dissesse respeito ao pagamento pelo fornecimento de tubos e serviços. Dali, o dinheiro ia para empresas de fachada controladas por Youssef, especialmente a MO Consultoria, a título de “prestação de serviços”, que só existia no papel.
Finalmente, Youssef disponibilizava o dinheiro para Paulo Roberto Costa. Parte da propina foi paga mediante a “doação” de um veículo Land Rover Evoque.
A audiência prossegue no plenário 12.
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Reportagem – Antonio Vital
Edição – Natalia Doederlein