Política e Administração Pública

Ex-vice-presidente da Camargo Corrêa é o primeiro a depor na CPI da Petrobras

Outros dois executivos devem depor ainda hoje: João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, e José Adelmário Pinheiro Filho, presidente da Construtora OAS

26/05/2015 - 10:31  

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Começou há pouco o depoimento do executivo Eduardo Hermelino Leite, ex-vice-presidente da construtora Camargo Côrrea, à CPI da Petrobras. Leite ficou preso quase quatro meses acusado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Ele foi libertado depois de fazer um acordo de delação premiada, na qual admitiu ter pagado propina ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Por ter formalizado a delação premiada na Justiça, Leite está sendo ouvido na qualidade de colaborador, com a obrigação de dizer a verdade sobre irregularidades na Petrobras.

A Camargo Corrêa venceu licitações no valor de mais de R$ 6 bilhões para obras nas refinarias Getúlio Vargas, no Paraná, e Abreu e Lima, em Pernambuco. Leite, conhecido como Leitoso, foi apontado pelo presidente da Camargo Correa, Dalton Avancini, como responsável pelos contatos com os políticos e pagamento de propina a diretores da Petrobras.

À CPI da Petrobras, Avancini negou que a Camargo Correa tivesse pago propina através de doações oficiais de campanha, mas admitiu que o dinheiro era destinado ao PP (por meio do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa) e ao PT (por meio do ex-diretor de Serviços Renato Duque).

Segundo outro investigado pela Operação Lava Jato, o empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, também houve propina para que a obra da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), fosse dirigida ao consórcio de empresas que ele representava na época, formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa e OAS.

A refinaria estava orçada em R$ 1 bilhão e Camargo afirma ter pago R$ 6 milhões ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque e ao ex-gerente de Tecnolocia Pedro Barusco. Segundo Júlio Camargo, a empreiteira Camargo Corrêa pagou R$ 23,3 milhões a uma de suas empresas, a Treviso, para ele intermediar o negócio. Ele acusou Leite de controlar o pagamento das propinas aos funcionários da estatal.

A audiência ocorre no plenário 12.

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Reportagem – Antonio Vital
Edição – Natalia Doederlein

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