Para instituto Acende Brasil, governo deve preparar plano de racionamento
04/03/2015 - 12:07
O presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, disse há pouco que ninguém deseja o racionamento, mas é importante que o governo prepare desde já um plano para isso, definindo critérios de redução de consumo, com benefícios e penalidades.
Na comissão geral sobre a crise hídrica e energética no País, que ocorre nesta quarta-feira (4) no Plenário da Câmara dos Deputados, ele salientou que a crise é grave. “Estamos no início de março com 21% da capacidade total de armazenamento do Sudeste, sendo que essa capacidade era o dobro no ano passado”, disse.
O diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Carlos Afonso Nobre, destacou que os últimos 13 meses foram os mais secos do registro histórico do Sudeste e do Nordeste. De acordo com ele, ainda não se sabe se é mudança climática ou se é algo cíclico. “Mas os planejamentos devem levar em conta que os extremos climáticos – seca e chuva – vão continuar acontecendo”, observou.
O presidente da Executiva Nacional do PSD, Guilherme Campos, ex-deputado federal, também disse que a seca veio para ficar no Sudeste. “Vamos ter que importar as tecnologias do Nordeste”. Para ele, tudo isso já era previsto. “As ações de planejamento e as obras necessárias não aconteceram”, enfatizou.
Prioridade
O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Argileu Martins, afirmou que a crise hídrica tem que ser tratada com prioridade em relação à crise energética. “Se tivéssemos olhado para a crise hídrica, não teríamos crise energética”, disse.
Segundo ele, falta planejamento do manejo de água e do manejo de solos, além de haver pouca educação ambiental. Ele disse que é preciso investir em tecnologias para o desenvolvimento sustentável no campo.
Já a bióloga Denise Agustinho, representante do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF e Entorno, destacou que o cerrado é fundamental para o ciclo hidrológico do País e está em extinção. “O Planalto Central é a caixa d’água do Brasil, porque ele vai absorvendo a água e alimentando os aquíferos”, ressaltou. “Precisamos de outro modelo de ocupação do cerrado.”
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Reportagem - Lara Haje
Edição - Daniella Cronemberger