Cada médico vai garantir mil votos na eleição, diz deputado
04/09/2013 - 18:38

Além de classificar como trabalho escravo a vinda de médicos cubanos para o Brasil dentro do programa Mais Médicos, o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), chamou de medida político-eleitoral o programa criado pela Medida Provisória 621/13, editada no início de julho. “A saúde está sendo usada, e cada médico vai garantir mil votos na eleição”, afirmou Caiado nesta quarta-feira, durante a comissão geral que debateu o programa.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, respondeu: “A sua fala demonstrou que quem está preocupado com eleição não é o governo. Certamente os prefeitos de todos os partidos do Brasil já solicitaram médicos.”
Mas também para o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), o programa é “uma peça de marketing”. Segundo o deputado, destinar verbas à contratação de médicos estrangeiros para o País não deve melhorar o atendimento à população. “A saúde do País está sucateada. É muita propaganda, mas a realidade do povo é completamente diferente”, disse.
Prioridades
O programa Mais Médicos estimula a atuação de médicos estrangeiros nas periferias de grandes cidades e no interior do País. Mas, de acordo com Ronaldo Caiado, a medida apenas disfarça o fato de que o governo federal não vem priorizando a saúde nos seus gastos.
O líder do DEM argumentou que o País perdeu 13 mil leitos em hospitais entre 2010 e 2013. Caiado também afirmou que o País tem um dos piores índices proporcionais de investimentos na área. “No Brasil, são 8,7% do Produto Interno Bruto. Na Argentina e no Chile, por exemplo, são mais de 20% e 25%, respectivamente”, exemplificou.
O deputado Eleuses Paiva (PSD-SP), por sua vez, afirmou esperar que a Câmara faça uma discussão mais profunda sobre as questões referentes à saúde. Para ele, não basta ter mais médicos, mas também são necessários estrutura e qualidade no serviço prestado.
“Eu não vi aqui ninguém contrário à proposta de levar médicos aos rincões, às periferias das grandes cidades. Mas eu esperava desse governo que abrisse um grande debate nacional para mudar a saúde brasileira, que ouvisse as ruas e destinasse 10% dos recursos públicos para a saúde”, disse o parlamentar.
Da Reportagem/NA